Quando nos desiludimos pela primeira vez com o BDSM
Todos chegam a um ponto em seu relacionamento, onde a percepção perfeita de seu parceiro é quebrada, período que chamamos de lua de mel. Isto é, evidentemente, denotado por um efeito sonoro de quebra de vidro muito realista, pois cada pessoa reflete sobre algum hábito de seu parceiro e como ele é intolerável.
Isso se assemelha muito a novas pessoas na cena kink. Por volta dos 9 anos que eu tenho no BDSM tenho visto muitas pessoas novas se aproximarem da comunidade BDSM de olhos arregalados e entusiasmados com aquela cara de “que lugar maravilhoso que eu encontrei!”. Eles tentam todo tipo de coisas novas, brincam com todo tipo de pessoas e falam sobre como as pessoas são simpáticas e receptivas.
Não que isso seja uma coisa ruim , digamos, mas é basicamente uma percepção imprecisa da cena. Pense nisso como essa fase de lua de mel dos relacionamentos, só que com toda a comunidade
Claro, o meio Kink é incrível, existem algumas pessoas ótimas, mas está longe do incrível país das maravilhas que todos nós pensamos que seria. E todos nós começamos assim. Todos, em algum momento, ficamos encantados com a cena e suas incríveis ofertas.
Eu diria que isso pode, no final, ser uma coisa boa. Experimentar muitas coisas novas, conhecer muitas pessoas novas e, basicamente, jogar as coisas em uma parede para ver o que acontece, cria muita experiência valiosa que pode ser usada mais tarde para decidir o que manter e o que jogar fora.
Mas quando o estilhaço atinge, ele bate forte. Assim como a quebra do ciclo da lua de mel para um modelo de relacionamento mais realista, a quebra pra uma pessoa em frenesi pode ser desestabilizadora, deprimente e difícil de lidar. De repente você percebe que pessoas de merda também existem na comunidade Kink. Você percebe que algumas das coisas que você achou que gostava não é bem assim. Ou o pior de tudo você tem uma experiência em primeira mão com uma pessoa de merda e se machuca.
Pode ser difícil saber para onde ir a partir desse ponto. Algumas pessoas fazem uma pausa e se reagrupam. Alguns marcham, determinados a descobrir onde eles se encaixam. Alguns saem e nunca mais voltam, depois de verem que o meio kink não é o país das maravilhas que eles achavam que era.
A melhor coisa que os membros da comunidade podem fazer por aqueles que são novos na comunidade é ser um suporte. Não há como dizer a alguém “Ei, essa coisa em que você está não vai durar”. Porque eles não têm como conceituar kink exceto através de sua realidade. Em vez disso, dando-lhes espaço para processar, olhando regularmente como estão dando dicas e espaço para construirem bases mais solidas e reais, mostrando uma rede de apoio, de pessoas que dizem “sim, é uma droga, mas aqui estão algumas coisas boas que eu encontrei e você pode ter contato”.
Você não pode consertar completamente algo que foi quebrado, mas pode ajudar a construir algo novo, saudável e sustentável.