Sobre Dominação Psicológica

Autor: Don Marco Alighieri Sobre Dominação Psicológica • Por “psicológico” entendam tudo aquilo que “não é físico”. SADISMO PSICOLÓGICO, em contraste com o sadismo convencional — que é o spanking, trampling, uso de velas, etc… ,é : – O uso de ofensas, xingamentos, humilhações puramente verbais… (Desde que o Bottom seja masoquista e curta essas práticas.) – Discurso que…

Autor: Don Marco Alighieri

Sobre Dominação Psicológica

• Por “psicológico” entendam tudo aquilo que “não é físico”.

SADISMO PSICOLÓGICO, em contraste com o sadismo convencional — que é o spanking, trampling, uso de velas, etc… ,é :

– O uso de ofensas, xingamentos, humilhações puramente verbais… (Desde que o Bottom seja masoquista e curta essas práticas.)

– Discurso que crie medo ou receio no Bottom durante a cena. (Um tipo de roleplay muito comum nesse sentido, por exemplo, é quando o Top age e fala como se fosse um carrasco medieval. Ou como se fosse um personagem de filme no estilo do Hannibal Lecter. Ou ainda como se sua cena fosse um ritual de magia negra. Etc… )

Obs.: NÃO confundir roleplay de sadismo psicológico com ameaças reais. Por mais extremos os elementos que entrem na cena, trata-se de um ato consensual.

DISCIPLINA, que por sua vez, é um fetiche inteiramente baseado no psicológico — podendo agregar elementos físicos e outros fetiches nela mas não sendo dependente deles.

Nesse fetiche o Top assume a postura de uma autoridade (professor, instrutora, mestra, lord, rainha, etc…), coloca o Bottom para fazer “tarefas com algum benefício por completá-las” ou “castiga o Bottom por seu mal comportamento”.

– E nesse fetiche, o Bottom não é plenamente obediente como na D/s… Em várias versões, inclusive, o Bottom comporta-se como um “personagem arteiro” — para ser castigado de propósito.

Obs.: Sendo, logicamente, tanto prêmios quanto castigos coisas que o Bottom consente em fazer. E a Disciplina deve sempre constituir “um jogo” entre as partes (não um elemento de chantagem, ameaça real, etc…). — Tipicamente é praticada só na cena ou em tarefas pontuais.

DOMINAÇÃO PSICOLÓGICA…?

Eu diria que é a “maior de todas as zebras que eu já vi” no BDSM.

Porque? Bem… Na prática TODA dominação/submissão é, por natureza, puramente psicológica (Ou seja, não depende de implementos e contatos físicos ou de outros fetiches, podendo ou não eles serem utilizados — E tipicamente, qualquer elemento físico na cena cai ou na categoria do BONDAGE ou do SADOMASOQUISMO).

Mas… Esse termo tem lá sua razão de existir… Algumas pessoas utilizam de “recursos avançados” em sua dominação. Chamam isso de Dominação Psicológica.

– E nem sempre isso é coerente com a consensualidade.

Para “separar o joio do trigo”, vou mencionar tudo o que entra nesse contexto — e marcar o que é prática abusiva ou equivocada.

[COERENTE COM O CONSENSUAL:]

1 — NEGOCIAÇÃO: O ato de se convencer o Bottom a realisar uma prática nova ou contra a qual ele tenha um preconceito (opinião SEM nenhum fundamento). Nessa prática o Top vai utilizar seu carisma, dar e manter a palavra de que terá cuidado, passar segurança ou até mesmo oferecer um prêmio ao Bottom por aceitar experimentar aquela prática (este último sendo um componente de Disciplina).

Obs.: É necessário respeitar um limite confirmado pelo Bottom, pois pode inclusive constituir uma fobia ou trauma. Isso é uma das premissas da negociação. Também é importante que o Bottom sempre esteja consciente dos riscos de todas as práticas — do contrário caracteriza manipulação.

2 — LEITURA: O ato de se utilizar procedimentos para se captar tendências do Bottom, então trazendo a este práticas que sejam afins à suas tendências. Entre os procedimentos poderia citar o mentalismo (leitura quente ou fria), leitura de sinais corporais, dedução lógica, empatia, etc…

Obs.: Essa prática também ajuda muito a tornar a cena mais intuitiva. É praticamente um pré-requisito para quem queira praticar a tríade CCC.

3 — CONDUÇÃO: O ato de se compreender detalhes íntimos do Bottom com técnicas, e de se utilizar esta informação tanto para trazer práticas afins quanto para mentorear o Bottom — ajudando-o à se descobrir. Entre as técnicas, menciono inteligência emocional, programação neurolinguística, psicologia, análise, psychic profilling, etc…

Obs.: Condução tem um imenso potencial em transformar o Top em uma forte referência para o Bottom, e é excelente força motriz para relacionamentos. Mas não pode constituir manipulação (utilização unilateral, em benefício do Top e detrimento do Bottom).

4 — MAESTRIA: Prática na qual o Top torna-se uma forte referência para o Bottom, conquistando uma profunda confiança e respeito. Basicamente é o ato de honrar sempre a palavra, demonstrar cuidados com o Bottom, respeitar sua constituição física e mental, demonstrar conhecimentos e experiência superiores, etc…

Surte efeito a longo prazo e não deve ser confundida com o ato de se impressionar o Bottom com declarações falsas, atuações teatrais, simular conhecimento ou coisa parecida.

5 — ADESTRAMENTO: É na prática uma forma de Disciplina, aplicada nas cenas, nas quais o Bottom executa tarefas sob as ordens do Top — podendo receber prêmios e “castigos”. Em alguns casos, são também passadas tarefas fora das cenas, se for o caso de um relacionamento D/s. É na prática um tipo de jogo entre Top e Bottom.

Obs.: Lembrando que o castigo — para ser consensual — tem que ser uma coisa com a qual o Bottom concorde (explicitamente ao combinar a cena ou implicitamente ao não invocar a palavra de segurança ou pedir para renegociar — dependendo do estilo).

[SITUAÇÃO ATÍPICA]

Em alguns casos, transes hipnóticos, estados meditativos e demais estados alterados de consciência similares obtidos sem o uso de substâncias químicas podem ser componentes de cena. Algumas pessoas chamam erradamente estas práticas de “dominação psicológica”, sendo na realidade “transe erótico” a nomenclatura correta.

Obs.: Estas práticas são de alto risco, mas ainda assim possíveis de serem praticadas consensualmente com pelo menos a concordância do Bottom.

[INCOERENTE COM O CONSENSUAL — NÃO DEVE SER FEITO:]

1 — MANIPULAÇÃO: O ato de se forçar a barra com o Bottom, usando falsas promessas, informações deturpadas, mentiras, “liturgias” que atentem contra a consensualidade, etc…

2 — INDUÇÃO: Utilização indevida de recursos como a indução comportamental, psicologia manipulativa, psicologia reversa, engenharia social, “mind hacking”, etc… Para manipular a mente do Bottom sem o seu consentimento. — Tipicamente em benefício exclusivo do Top.

3 — AMEAÇA: Imposição de ordens do Top em relação ao Bottom, sob ameaça de retaliação.

(Punição que não constitua fetiche do Bottom, com a qual ele não concorde consensualmente.) Ex.: Espancamento real, cárcere privado, vexame em público, etc…

4 — CHANTAGEM: Ameaça do Top em relação ao Bottom de revelar sua intimidade em público, revelar detalhes pessoais dele, fotos ou filmagens íntimas, etc… Com o intuito de forçar este à acatar suas ordens. Havendo também a chantagem emocional, que é caracterizada por ameaças de término de relacionamento, greve de sexo (não confundir com negação de orgasmo, que é um elemento válido em cenas), etc…

5 — LAVAGEM CEREBRAL: Procedimento pelo qual o Top afasta o Bottom da racionalidade e tolhe sua habilidade em questioná-lo. Geralmente é caracterizada pela imposição de um isolamento social, familiar e de recursos que poderiam ajudar o Bottom a perceber a situação de abuso. As vezes inclui uma dependência financeira forçada.

6 — EXPLORAÇÃO DE FRAGILIDADE: O Top escolhe, como Bottom, pessoa portadora de uma fragilidade (carente, autodestrutiva, bulímica, bipolar, viciada em entorpecentes, etc…) e utiliza-se da condição provocada pelo problema . (Evitando que o Bottom se trate adequadamente.)

Autor: Don Marco Alighieri

📂 Você está em
📋 Neste artigo
  • Gerando índice…
🏷️ Termos
BDSM BRASIL BLOG

Conhecimento critico para praticas conscientes. Escrito por Lino Naderer e afins.

NOVIDADES
ARTIGOS RECENTES

Descubra mais sobre BDSM BRASIL BLOG

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading