[SPANKING / FLOGGING / PADDLING / WHIPPING / CANNING]

Autor: Don Marco Alighieri Este artigo é sobre a mais comum das atividades sadomasoquistas (SM), no BDSM. A mais comum das formas de Pain Play.: – “O ato de se golpear o parceiro(a) com as mãos ou uma ferramenta.” Cada termo destes de fato refere-se a uma ferramenta específica. {TERMOS versus FERRAMENTAS} SPANKING: Mãos nuas…

Autor: Don Marco Alighieri

Este artigo é sobre a mais comum das atividades sadomasoquistas (SM), no BDSM.

A mais comum das formas de Pain Play.:

– “O ato de se golpear o parceiro(a) com as mãos ou uma ferramenta.”

Cada termo destes de fato refere-se a uma ferramenta específica.

{TERMOS versus FERRAMENTAS}

SPANKING: Mãos nuas ou instrumentos improvisados (cintos, chinelos, etc…).

FLOGGING: Açoites e gato de 9 caudas (floggers).

PADDLING: Raquetes (paddles).

WHIPPING: Chicotes e chibatas (whips).

CANING: Bengalas finas e varetas (cannes).

[BÁSICO]

Cada ferramenta possui detalhes específicos. Gera sensações diferentes.

Mas o básico é cabível a todas elas.

Essa técnica deve ser empregada somente em regiões com grande quantidade de tecido adiposo — especialmente se forem dados golpes fortes com uma ferramenta pesada.

A parte de trás das coxas e nádegas são as regiões a serem atingidas.

Golpes fracos com ferramentas leves podem até serem dados em outras regiões, mas estamos falando aqui de uma verdadeira “finesse”:

– Os golpes nessas outras regiões, se forem dados, devem ser de um tipo incapaz de causar marcas de qualquer espécie. (Este seria um “parâmetro de segurança” — para uma coisa que por si só já é um tanto quanto perigosa e não recomendável.)

O rosto por sua vez é uma região a ser evitada em todas as tecnicas usando ferramentas.

A chance de se atingir os olhos é imensa, e até mesmo um golpe leve pode provocar cegueira permanente se ocorrer um corte na superfície do globo ocular seguido de infecção.

“Ah, mas vi uma foto em que o Bottom levava pancada nos seios, escroto, rosto, etc…”

– Não use fotos da internet como parâmetros!

Muitas são editadas, fruto de maquiagem ou ainda, em raros casos, pertencem a pessoas adeptas de práticas extremas de risco alto (o que pode não ser o caso do seu Bottom) ou ainda que foram pagas para fazer aquilo.

Uma recomendação que dou é que, antes de usar qualquer ferramenta, teste-a em si mesmo.

Veja como o golpe se dá. Qual a sensação dele.

Isso nada tem a ver com switching — mas sim com um Top ser responsável e controlar todos os elementos de sua sessão de maneira completa e abrangente.

Pain Play muitas das vezes é praticado junto do Bondage e suas variantes. Mas um não é essencial ao outro.

Obs.: Tenha em mente que a mistura Pain Play / amarração é opcional — assim como todas as outras — pois tecnicamente, Bondage, Disciplina, SadoMasoquismo e Dominação&Submissão são fetiches distintos em si mesmos — sendo BDSM somente um termo criado para agrupar os praticantes em torno de um tema comum.

[SENSAÇÕES]

Se o SadoMasoquismo fosse música, as sensações de Pain Play seriam notas.

Pode-se tentar dividir elas em várias categorias. As três divisões mais comuns são STING, THUMP e THUD, que detalho abaixo. Geralmente estas sensações estão atreladas ao material e especificação das ferramentas — mas é possível, como mencionarei mais tarde, alterar a sensação simplesmente variando a técnica.

“FERROADA” (STING) — É uma sensação de dor aguda. Tipicamente causada por ferramentas estreitas, finas e leves — que atingem uma pequena área. É uma sensação extremamente marcante, sentida na pele e capaz inclusive de sacudir os pensamentos do Bottom se ela vier de forma desavisada. Existem muitas variantes. Se a ferramenta for áspera, há a sensação de queimadura. Se ela for mais pesada na ponta, a sensação se parecerá bastante com um peteleco.

“TABEFE” (THUMP) — Uma sensação mais esparramada de dor, distribuída por uma área mais larga mas ainda assim sentida ainda somente na pele.

É provocada por ferramentas quase sempre um pouco mais pesadas e feitas com material mais largo. Repetidos golpes cadenciados, com essa sensação tendem a “anestesiar” o local, fazendo com que a sensação de dor diminua ao longo da sessão.

“BORDOADA” (THUD) — É uma sensação de dor mais grave. Percebida como profunda e quase sempre distribuída por uma área maior da pele. A ferramenta que a provoca é suficientemente pesada para que o impacto seja sentido nos músculos — não necessariamente sendo rígida.

Repetidos golpes com essa característica, leves e cadenciados, costumam levar facilmente o Bottom a um estado de relaxamento e introspecção.

VARIANDO A SENSAÇÃO — Para exemplificar como é possível variar a sensação, irei utilizar como exemplo uma ferramenta improvisada das mais usadas em spanking, que é um objeto comum e tem em toda residência: A Toalha de banho!

1: Segure-a por uma ponta. Enrole-a ligeiramente.

Golpeie com movimento de chicotada.

– O golpe dado dessa forma, com a outra ponta é tipicamente uma ferroada (Sting).

2: Segure-a por um dos lados (duas pontas desse lado na sua mão).

Junte-a ligeiramente e enrole uma vez na sua mão. Golpeie com movimento de açoitamento.

– Este golpe por sua vez será um tabefe (Thump).

3: Dobre e enrole a toalha, para que se torne um cilindro.

Segure um dos lados. Golpeie com movimento de açoitamento.

– E este golpe será quase que certamente uma bordoada (Thud).

Coisas como bater com o chicote dobrado, ou só com a ponta do flogger, etc… Tem o mesmo efeito de modificar a sensação. — Sem falar no movimento e na potência do golpe em si.

[FERRAMENTAS]

Aqui estarei detalhando individualmente as técnicas e suas respectivas ferramentas…

{SPANKING} — Mãos e/ou de ferramentas improvisadas (chinelos, réguas, cintos, etc…).

O Spanking é a mais comum das técnicas. Tão comum que chega a ser usado como sinônimo de Pain Play de golpeamento. Mas, considerando o uso correto da palavra, basicamente podemos agrupar algumas das ferramentas improvisadas.

Mãos nuas / mãos com luvas: Aqui são aplicados tapas, com as mãos abertas. Atinja somente os glúteos e no máximo a parte de trás das coxas. MODERE sua força. (Tome cuidado com o peso das mãos.) Obs.: SIM — Você pode dar um tapa na cara do Bottom se for do gosto dele, a título inclusive de humilhação — mas lembre-se de que isso NÃO pode ser repetido inúmeras vezes — não se faz “spanking” do rosto.

Luvas de couro fino, tecido ou borracha: Agem como floggers leves. Podem ser utilizados com as mesmas técnicas. Lembre-se tirar o ar de dentro — ou irá estragar as luvas com essa prática.

Cintos: Utilize somente cintos de couro, sem acabamento metálico na ponta. Ou cintos de lona, dobrados de forma a somente a lona atingir o Bottom. NÃO use a fivela, pois além do peso ser suficiente para rasgar a pele em alguns lugares, elas podem soltar-se e saírem voando. Ou ainda girarem, abrirem e atingirem o Bottom com o pino que existe nelas, provocando um ferimento de perfuração que vai requerer cuidados médicos. Tecnicamente são como chibatas ou chicotes, mas um tanto quanto mais pesados.

Réguas de madeira, alumínio ou plástico: São quase como Paddles. Não utilize nenhuma régua que tenha cantos vivos ou acabamento cortante (Passe uma lixa nas bordas dela para corrigir isso se for o caso.) A técnica é a mesma da Paddle. Deve-se atingir somente os glúteos, e evitando golpear próximo às dobras de pele (isso pode causar cortes).

Colher de pau ou plástico: É quase como uma Canne ou Paddle dependendo de seu uso. Golpeie com o lado côncavo ou com o cabo (se este for fino), somente nas nádegas. E atenção: NÃO é recomendável bater com ela nas palmas das mãos do Bottom. (Se atingir as juntas dos dedos, pode provocar danos sérios…). Trata-se de uma ferramenta pesada, que requer MUITO cuidado ao ser utilizada.

Mata moscas, Raquete de pingue-pongue, livro fino, escova de cabelo larga e tábua de corte leve: São como uma paddle, sendo o mata-moscas o mais delicado deles. Podem ser usados tranquilamente — desde que o mata-moscas seja usado somente para este fim, e nunca para matar moscas, dada a questão da higiene.

Chinelos de borracha ou sandálias: outra ferramenta que é recomendável ser usada apenas para a finalidade do Spanking (pode ser lavada primeiro). São como paddles pesadas. Deve-se tomar o cuidado de inspecionar a sola antes — e seus golpes devem ser dados exclusivamente nas nádegas.

Toalha de banho, fronhas de travesseiro, camisetas e similares: Dependendo da forma como forem enrolados e segurados, podem agir como um whip, um flogger ou uma paddle. São abrasivos devido ao material (tenha isso em mente). Mas de resto bastante seguros de serem usados.

{FLOGGING} — Açoites e gatos de 9 caudas (floggers).

Açoites são um dos mais antigos instrumentos de tortura criados pelo homem.

Amplamente utilizado para punir condenados, presos, escravos, etc…

Em Esparta, rapazes eram açoitados para testar sua masculinidade. Enquanto que a lei judaica em vigor na época medieval restringia o uso dos açoites à 40 golpes — ou até o momento em que houvesse sangramento ou danos intensos.

A principal característica de um flogger é que ele possui múltiplas tiras ou filamentos de material. Ele pode ser curto (sendo muito parecido com um espanador) ou bastante comprido (do tamanho de uma perna).

O gato de nove caudas (cat’o nine tails) é um flogger com exatamente 9 tiras ou filamentos e geralmente com pontas mais pesadas.

O tipo do material influencia muito no seu uso e na sensação que causam.

Floggers com peças pesadas (pontas de metal, feitos de correntes, cabos de aço, etc…), com elementos cortantes (farpas, fios elétricos, pinos afiados ou pregos nas pontas, etc…) ou ásperos demais (“lixando”) NÃO devem ser usados no flogging, tendo poder lesivo em demasia para serem adequados à prática.

Bons floggers podem ser feitos com corda natural (macia) ou sintética, barbante, couro, borracha, tecido, etc… Alguns são feitos com esfregões (mop).

Quanto mais comprida for a ferramenta, mas fácil é que o golpe atinja áreas imprecisas ou ainda embole ao redor do Bottom — atingindo a parte frontal. Deve-se tomar cuidado com estas possibilidades.

Compensa treinar os golpes antes da sessão, especialmente em se tratando de uma ferramenta longa. Use um travesseiro ou almofada para isso, como ”alvo”.

{PADDLING} — Raquetes de punição (Paddles)

Uma Paddle é bastante similar a uma raquete de pingue-pongue, podendo-se inclusive estas serem facilmente usadas como Paddles.

As paddles tradicionais da época medieval eram feitas de madeira rígida e bastante pesada. Seu objetivo inicial era de servirem de punição alternativa aos escravos, criando menos dano permanente que poderia infeccionar (cortes na pele).

Então tornaram-se instrumento de castigo principalmente à alunos em instituições de ensino ou à crianças e jovens em famílias tradicionalistas. Também sendo usadas em trotes para entrada nas chamadas fraternidades acadêmicas nos EUA.

Algumas possuíam furos em sua superfície, para serem mais aerodinâmicas.

E tornaram-se um tanto quanto mais leves. — para evitar dores nos quadris, causadas por danos nas articulações.

Para o BDSM, boa paddle tem que ter a superfície livre de farpas, rachaduras, etc…

E seu acabamento é fino, sem cantos vivos. Pode ser de madeira, couro rígido ou materiais sintéticos.

Paddles que possuem furos não devem ser usadas em golpes muito fortes, ou poderão causar cortes na pele.

Assim como não deve ser atingida a sobra das nádegas (rego) com a borda da paddle.

E… Os golpes não podem ser dados próximo aos rins e cóccix. O impacto não deve ser transferido a ossos ou órgãos internos.

O alvo é correto é a parte mais carnuda das nádegas, sobre o tecido adiposo, sem atingir músculos ou ossos.

{WHIPPING} Chicotes e chibatas (Whips, riding crops,…)

O chicote e a chibata são as mais emblemáticas das ferramentas.

Originalmente criados como um acessório para motivar animais através da dor, ainda na pré-história, rapidamente se tornaram também instrumentos para punição humana na antiguidade, com os mesmos usos que os açoites.

A principal característica destes instrumentos é que possuem uma única tira ou filamento de material, podendo variar bastante na flexibilidade e comprimento.

Chicotes possuem o filamento ou tira mais comprido que o seu cabo. Situação que na chibata é invertida.

Os chicotes de picadeiro ou adestramento (doma) de animais, que são compridos, afinam seu diâmetro ao longo do comprimento e terminam finos na ponta não devem ser utilizados em Whipping no BDSM, pois o estalido do golpe deles é na realidade um movimento supersônico. A ponta, nesta velocidade, rasga a pele humana, gerando um corte por abrasão.

Assim como chicotes e chibatas punitivos ou de artes marciais, que possuam elementos metálicos, farpas, sejam feitos de correntes metálicas ou cabos de aço, etc…

O chicote e a chibata devem possuir a tira ou filamento com aproximadamente o mesmo diâmetro, podem ser feitos com corda natural (macia) ou sintética, barbante, couro, borracha, tecido, etc…

A chibata pode também ser do tipo usado em equitação, inclusive esta sendo bastante comum de ser utilizada (com o cuidado de não se atingir o Bottom com o cabo).

Ferramentas deste tipo, se demasiadamente compridas, são também sujeitas a atingir áreas inesperadas, inclusive as frontais do Bottom. — A mesma tática de praticar os golpes em um travesseiro ou almofada são recomendadas nestes casos.

{CANING} Bengalas de golpe, varetas (Cannes)

A palavra “Canne” é de origem francesa, e referencia bengalas em geral, havendo deste as bengalas de caminhada ou de apoio até as que são na verdade armas (floretes como a “canne-épee”) ou pesados bastões de combate (utilizados na arte marcial francesa “canne de combat”).

E, claro, existem as bengalas finas, que são essencialmente “varetas”, servem como uma chibata rígida e são as realmente utilizadas no Caning.

Estas são muito similares em peso e pargura às bengalas de caminhada para cegos, tendo em torno de 10 milímetros de largura.

O Caning é uma punição antiga. Muito utilizada por organizações militares, policiais, judiciais e até mesmo instituições educacionais de alguns países — inclusive ainda hoje em dia.

A grande diferença está na técnica e no peso e espessura da Canne a ser utilizada.

No Caning judicial, são aplicados golpes com as duas mãos e usada uma Canne de madeira ou vime grossa e pouco polida, de forma que é provocado um ferimento sério. As vezes até a laceração.

Enquanto que no Caning militar, como trata-se de disciplina para soldados, os golpes são amaciados — ao ser usada uma técnica mais branda ou com os golpes aplicados com o réu estando vestido.

O Caning usado no BDSM é mais próximo ao Caning utilizado como castigo estudantil, sem provocar sérios estragos no Bottom.

Uma boa Canne pode ser feita de material sintético, madeira, vime…

Deve ter sua superfície polida e não possuir peso excessivo.

Existem Cannes feitas com múltiplos feixes, de material semi-rígido.

Requer o mesmo cuidado que se tem com a Paddle, de se atingir somente regiões com muito tecido adiposo e evitar locais aonde o impacto é transferido aos ossos ou órgãos internos.

[HIGIENE E CUIDADOS]

Dado o contato íntimo, as ferramentas utilizadas capturam em seus poros e rugosidades traços de células da pele do Bottom. — Ou até mesmo sangue se houver algum ferimento na sessão.

A ferramenta então pode carregar em si fungos e bactérias. Tendo desta maneira o potencial de carregar uma doença de um Bottom para outro. — Ou de fermentar uma contaminação.

Na dúvida? Pequem pelo excesso!

(A sensação de cuidar das ferramentas, de maneira até mesmo ritualística , é parte inclusive do prazer em sentir-se um grande mestre. Alguns destes cuidados, por sua vez, também podem ser delegados ao Bottom como parte da prática do fetiche da Disciplina, ou se houver confiança neste.)

O primeiro cuidado importante é verificar o estado da pele do Bottom.

Se houver sinais de doença de pele (micoses, foliculite, etc…) é importante reservar ferramentas somente para este Bottom. (Ou utilizar somente ferramentas de silicone, que possam ser esterelizadas.)

O segundo cuidado é exigir que o Bottom tome um banho antes da sessão, e lave suas nádegas corretamente. (Principalmente para reduzir a possibilidade de a ferramenta ser contaminada por coliformes fecais, um micro-organismo bastante perigoso presente nas nádegas especialmente se o Bottom foi ao banheiro e limpou-se com papel higiênico.)

Obs.: Esse cuidado pode inclusive ser incorporado na sessão, em diferentes estilos, criando até uma atração à parte. Desde o Top banhar o Bottom, agregando elementos de water play (estimulação com jato de água, manipulação do Bottom enquanto este estiver dentro da banheira, etc…) ao Sensation Play durante o banho (uso de água gelada, pedras de gelo, água morna, etc…) passando por Age Play (Bottom age como um adolescente rebelde ao tomar banho), Pet Play (O Bottom tomar o banho agindo como se fosse um animal de estimação do Top) e até mesmo SadoMasoquismo baseado em humilhação (o Top “constrange” o Bottom a tirar a roupa e se banhar na sua frente, dizendo que ele está sujo, chamando ele de porco ou coisa parecida).

E o terceiro e mais importante cuidado é higienizar a ferramenta depois da prática — e secá-la cuidadosamente. Isso não é possível de ser feito da mesma forma com todas as ferramentas dados os materiais, então deve-se ater a alguns detalhes. (Obs.: Mesmo não havendo risco de contaminação, como por exemplo no caso de ser um único Bottom, ainda há o risco de a ferramenta fermentar microorganismos na sujeira, daí a higienização ser importante.)

– Borracha, Nylon e sintéticos similares — Lavagem com água e sabão, imersão em álcool e secagem completa são suficientes se trata-se de prática sem escoriações ou arranhados.

Aplique talco no que for de borracha após a limpeza para reduzir a aderência.

– Silicone ou metal — Os mesmos cuidados com os materiais acima, podendo também ser fervido para uma assepsia melhor no caso de práticas extremas.

– Algodão, Juta e fibras naturais — O ideal é lavar com água e sabão e deixar secas completamente. Devem ser fervidos em caso de práticas extremas.

– Couro, madeira e vime — Materiais quase impossíveis de serem higienizados completamente sem sofrerem degradação, e são justamente os mais comuns mais por uma questão de tradição e simbolismo, do que por uma questão de praticidade.

Não devem ser usados em mais de um Bottom principalmente se ocorrerem cortes, escoriações ou arranhados na sessão.

A limpeza é feita com a escovação e aplicação de álcool isopropílico seguida da secagem (Obs.: pode vir a ressecar ou danificar o acabamento).

Outra prática comum é lavar rapidamente com água e sabão, golpear diversas vezes o ar para secar o instrumento e deixá-lo pendurado em um varal por duas semanas.

Existe também um método pelo qual se coloca o material em banho de tinta própria (do tipo que é usada fervendo em panela) o que ao mesmo tempo esteriliza e faz a manutenção do material.

Podem também ser aplicados após a higienização produtos específicos para madeira ou couro (lembrando que esses produtos devem ser não-tóxicos e se possível, também não-alergênicos).

De um modo geral, couro, madeira e vime são materiais ruins para adeptos de práticas extremas. São indicados somente para quem irá utilizá-los em sessões leves. (Sem visar nenhuma marca tirando a vermelhidão). Ou ainda em um único bottom, em caso de sessão extrema.

[MARCAS E CICATRIZES]

Esta prática pode levar a criação de marcas (lesões) temporárias ou permanentes e cicatrizes de diversos tipos.

Este fator precisa ser levado em consideração ao escolhermos as ferramentas e técnicas a serem usadas.

– É sumariamente importante o Top conhecer o gosto do Bottom. Saber se ele deseja ou não ostentar estes atributos (ter marcas no corpo, e de quais tipos), para então dosar técnicas e ferramentas.

Um outro detalhe importante é que, de acordo com a legislação, a prática do sadomasoquismo não é reconhecida em nenhum aspecto.

Se o Bottom denunciar o Top, fizer um exame de corpo de delito e comprovar que foi agredido, o Top acaba por ter que responder a um processo criminal.

Do qual ele pode não conseguir escapar sem uma condenação, mesmo comprovando que o Bottom consentiu na prática.

Eu recomendaria o seguinte raciocínio na consideração quanto a “deixar ou não marcas no Bottom”:

O bottom QUER ser marcado e você (Top) confia plenamente na idoneidade e compromisso dele e/ou exigiu que ele assine um termo de responsabilidade?

– OK, deixe marcas no Bottom.

O bottom NÃO QUER ser marcado e/ou você (Top) desconfia de suas intenções? (O Bottom é inexperiente? Ou é sua primeira vez com este Bottom?)

– NÃO deixe marcas no Bottom.

Costumo dividir as marcas em 2 grupos. As esperadas e as acidentais. Enquanto que as cicatrizes caem todas em uma mesma categoria.

{MARCAS ESPERADAS}

– {VERMELHIDÃO} — A mais comum das marcas, difícil de ser evitada e totalmente temporária. Desaparece em algumas horas ou nomáximo dias.

É causada até mesmo por impactos bastante leves se forem repetidos por um tempo. Algumas pessoas sensíveis inclusive apresentam vermelhidão na pele com um ligeiro toque.

A pele deve ser lavada. Pode-se aplicar um hidratante hipoalergênico para reduzir a sensibilidade. Não requer grandes cuidados.

– {ESCORIAÇÃO} — A escoriação é a remoção de camadas superiores da pele. Quanto mais áspera for a ferramenta — e mais a ferramenta se mover durante o golpe — mais a prática irá causar escoriações.

É uma marca que demora em torno de um a dois meses para desaparecer completamente. Repetidas escoriações no mesmo local podem provocar cicatrizes permanentes.

A escoriação pode vir a ser parte do objetivo da prática, se for de comum desejo do Top e Bottom, mas ainda assim o cuidado de se lavar a pele e aplicar antisséptico e bandagem deve ser tomado.

Outro detalhe é que a ferramenta precisa ser higienizada ao ocorrer este tipo de marca, pois ela passa a ter traços de pele e até mesmo de sangue do Bottom.

– [HEMATOMA] — O hematoma é uma hemorragia interna, que surge debaixo da pele. Quanto mas rígida e pesada for a ferramenta — e mais fortes forem os golpes — mais a prática irá causar hematomas.

Em torno de 2 a 3 meses são o suficiente para um hematoma desaparecer. Repetidos hematomas no mesmo local também podem provocar cicatrizes permanentes, que só aparecem muito tempo depois.

É outra marca típica que muitas das vezes é desejada pelo Bottom e o Top. O cuidado que se deve ter é a aplicação após a sessão de remédios específicos (gelol, gel de arnica ou similares) para a marca desaparecer mais rápido.

{MARCAS ACIDENTAIS}

– {REAÇÃO ALÉRGICA} — A reação alérgica aparece como uma vermelhidão, inchaço da pele e elevação da temperatura no local. Se ela surge em prática leve, é sinal de que o Bottom tem alergia

ao material utilizado ou a um contaminante presente neste material (substâncias químicas, microorganismos, etc…). O ideal é descontinuar, lavar a pele e usar uma ferramenta diferente na próxima sessão.

Já se a reação alérgia surge em uma prática mais pesada (na qual houve arranhado ou escoriação), pode ser tanto este caso quanto o caso de a ferramenta estar contaminada, e é recomendável não só lavar a pele do Bottom como também aplicar um antisséptico (merthiolate, álcool iodado, etc…).

– {ARRANHADO} — O arranhado, nesta prática, é geralmente um acidente provocado por uma farpa, falha no acabamento ou corpo estranho infiltrado na ferramenta. Não costuma resultar em cicatriz.

Uma vez percebido, deve-se interromper a sessão. O ferimento deve ser lavado com água e sabão, tratado com antisséptico e a ferramenta deve ser inspecionada para localizar o elemento que provocou o arranhado.

A ferramenta deve ser higienizada, após ser corrigida, se ocorrer este tipo de marca. Arranhados costumam desaparecer entre 2 semanas a um mês.

– {CORTE} — O corte, também acidental, é causados quase sempre pelos mesmo fatores que o arranhado. Ou pela utilização equivocada de um chicote convencional de domador/caubói (do tipo que provoca um estalido) em práticas de sadomasoquismo. Ou ainda por um golpe acidental de raquete (paddle) ou similar que tenha atingido uma dobra de pele.

É necessário parar o sangramento, lavar o ferimento, aplicar antisséptico — e até mesmo ir ao médico para sutura dependendo da profundidade do corte.

A ferramenta neste caso está contaminada pelo sangue do Bottom, e logicamente vai requerer a higienização.

– [BOLHAS DE QUEIMADURA POR ATRITO / ÚLCERA POR PRESSÃO] — Outra lesão acidental, que geralmente só aparece depois da sessão. Caracteriza-se pela morte de tecido celular e é provocada pelo repetido golpeamento no mesmo exato local com boa quantidade de força ou atrito. É evitada ao golpear-se em locais diferentes e com a moderação na força. Esta marca tem duas formas. O surgimento de bolhas é a mais leve, causado pelo atrito e requer apenas o tratamento padrão para queimaduras (pomadas específicas, limpeza do local, etc…). Já a úlcera por pressão, que tende a ser provocada por impactos repetitivos apresenta-se como uma área na qual a pele “enrijeceu e ficou escura” e requer cuidados médicos na grande maioria dos casos — sendo a lavagem e aplicação de antissépticos apenas um primeiro socorro.

{CICATRIZES}

São marcas permanentes provocadas pela prática.

Desaparecem somente após alguns anos e, portanto, são um atributo a ser pensado com MUITO cuidado por ambas as partes.

São de tal forma emblemáticas que alguns consideram que as cicatrizes são “as tatuagens de um masoquista adepto de práticas extremas”.

As cicatrizes costumam apresentar o formato da ferramenta utilizada.

Malhos, gatos de 9 caudas, chicotes flexíveis e chibatas deixam cicatrizes circulares e finas.

Enquanto que bengalas, chicotes rígidos e ferramentas simiares deixam cicatrizes mais grossas e retilíneas.

Já as raquetes são um caso especial, pois suas cicatrizes são menos densas e mais largas. Elas causam um fenômeno conhecido como “compactação da pele”, tornando a pele mais grossa, se utilizadas repetidas vezes sem alternância com outros instrumentos.

A única forma de se evitar cicatrizes é efetuar a prática somente de forma leve (evitando quaisquer marcas que não sejam a vermelhidão) e de preferência com no máximo duas sessões por semana com essa prática.

[TÉCNICAS, FERRAMENTAS E ESTILOS]

Cada praticante possui seus estilos e técnicas próprias.

E adquire ferramentas de maneiras diversas.

Quanto as ferramentas, elas podem ser adquiridas pessoalmente ou pela internet em sex-shops, lojas e artesões especializados em fetiches, casas de produtos para pecuária e inclusive serem produzidas pelos próprios praticantes.

Com base nas ferramentas, é possível se criar um estilo.

E até mesmo um personagem, caso o praticante sela inclinado ao roleplay erótico.

As técnicas variam bastante, mas podem ser agrupadas de acordo com o objetivo do Top.

{“PROVOCAÇÂO ERÓTICA”} (Erotic Pain Teasing)– Técnica na qual o Top atinge o Bottom de fato pouquíssimas vezes (estando este tipicamente amarrado), de maneira bastante sensual e intercalada com um discurso apropriado e com outros estímulos (inclusive o toque da ferramenta em zonas erógenas). O objetivo é excitar o Bottom ao extremo, enquanto que a dor é servida somente em porções homeopáticas. Esta técnica as vezes é usada inclusive como prelúdio para a negação de orgasmo por alguns Tops.

{“AQUECIMENTO SEXUAL”} (Firestarting) — Variante na qual ocorrem preliminares eróticas, seguidas de uma sessão de golpeamentos rápidos do Top no Bottom (geralmente não muito intensos, demorados e/ou extremos). E então há o retorno ao erotismo e geralmente a cena prossegue ao ato sexual.

É uma técnica bastante instintiva, que mistura o estímulo da dor à excitação já existente.

{“ TRANSE MASOQUISTA”} (Pain Trance) — Aqui a sessão é feita com golpes ritmados e com pausas entre eles, evitando-se ao máximo chegar no limiar da dor do Bottom. Quase sempre são usados golpes com sensação de tabefe ou bordoada, evitados os com sensação de ferroada e os golpes são leves ou medianos. São acompanhados de um clima confortável e de um discurso da parte do Top mais calmo, as vezes até com fraseologia esotérica e capaz de gerar um estado meditativo e alterado de consciência no Bottom.

Esta técnica é focada em um dos princípios mais usados na meditação ou hipnose, que é a repetição de estímulos, e costuma colocar o Bottom em um estado as vezes chamado de “SubSpace”.

{“ORGASMO DE DOR”} (“Paingasm”) — Técnica feita através de golpes fortes, cada vez mais intensos e de vários tipos, de maneira a levar o Bottom gradualmente ao seu limiar da dor.

Trata-se de uma técnica de sadomasoquismo “hardcore”, que naturalmente deixa muitas marcas e na qual o Bottom costuma chorar enquanto sua mente se distancia da cena — atingindo um estado frequentemente um estado alterado de consciência, que também costuma ser chamado de “Subspace”. (O Top precisa tomar extremo cuidado, no que diz respeito aos limites e estado de saúde do Bottom neste caso.)

A principal engrenagem por trás desta técnica é a resposta do corpo humano a dores constantes e intensas, liberando uma descarga de endorfina.

Trata-se de uma técnica que exige um cuidado (aftercare) imediato (cuidado e carinha da parte do Top), e também um acompanhamento por parte do Top depois da sessão, pois pode em alguns casos resultar em um episódio depressivo.

{“DEGRADAÇÃO SADOMASOQUISTA”} (Degradation) — É uma sessão na qual ocorre humilhação em conjunto com os golpes (xingamentos, ofensas, atos humilhantes, etc…), que por sua vez são relativamente espaçados.

Existe também uma forma switcher desta prática, na qual um praticante golpeia o outro, e este que está sendo golpeado promove a humilhação (geralmente insultando o golpeador, insinuando que seus golpes são fracos demais, cuspindo nele, etc…).

Trata-se de uma prática psicologicamente intensa, na qual é muitas das vezes explorado o desejo de ser punido e humilhado por parte do Bottom.

Dado este conteúdo, deve-se ter o cuidado de não se praticar esta técnica com pessoas psicologicamente instáveis (portadores de distúrbios) e também de se distanciar o que ocorre na cena do cotidiano, o que geralmente é feito com uma conversa casual depois da cena e mantendo-se a certeza de que tudo se trata de interpretação de papéis (roleplay) e que não deve ser levado para fora da cena.

{“DOR E PRAZER”} (P&P, Pain & Pleasure) — Técnica na qual o golpeamento ocorre durante o ato sexual, podendo ou não ser extremo e explorando a associação mental de ambos os estímulos. Requer um cuidado quanto à marcas, pois frequentemente praticantes desta variante empolgam-se, esquecem do que foi combinado e saem da cena completamente marcados.

Esta técnica tem fundamento muito semelhante ao do fetiche do Sexo Selvagem (“Rough Sex”), no qual o ato sexual é misturado com estímulos dolorosos como mordidas, arranhados, tapas, agarrões, beliscões e uma conduta agressiva — sendo no entanto distinta por ocorrer unilateralmente no momento da aplicação. (Mesmo que os praticantes eventualmente sejam switchers e invertam as posições em outro momento.)

{“JOGO SADOMASOQUISTA”} (S&M competitive play, switcher’s game, …) — Prática que consiste em uma competição entre os dois parceiros, sendo portanto estes switchers.

Geralmente consiste em uma troca de golpes alternados entre eles, ou uma comparação entre o tempo que resistiram a uma sessão de golpes do outro. O vencedor tipicamente tem um desejo seu atendido pelo parceiro, que geralmente é pré-combinado antes da sessão.

Trata-se de uma prática que explora a adrenalina de estar competindo com o parceiro, em conjunto com o apreço pelas sensações dolorosas.

Existe uma variante não-switcher, na qual um Top pode fazer uma competição similar entre dois de seus Bottoms em sua cena, executando o golpeamento de ambos. (Obs.: A partir do ponto em que um Bottom tenha que golpear outro, este passa a ser considerado switcher.)

{“SADOMASOQUISMO DE TERROR”} (Terror SM Play) — Outra prática que explora a adrenalina, na qual a cena baseia-se em uma interpretação de papéis (roleplay) nos quais o Top age como sendo um personagem assustador (carrasco, bandido, torturador, inquisidor, cientista louco, etc…) e o Bottom age como sendo sua vítima, havendo inclusive a caracterização.

Esta técnica intercala os golpeamentos com ameaças dentro do papel, declarações que gerem incerteza no Bottom, risadas maléficas, aplicação de enema, colocação de consolos, ato sexual, gun play com arma de brinquedo, etc…

Simulação de estupro que contenha golpeamento cai nesta categoria.

Ela baseia-se muito na vontade do Bottom de passar por um suplício quase real, muitas das vezes de gritar por socorro durante a sessão — então as palavras de segurança são fundamentais nesta versão da prática.

É importante mencionar que o perigo, nesta cena, é simulado. Mas percebido como intenso.

Então, deve ser tomado o mesmo cuidado que na degradação, de se distanciar o que ocorre na cena do cotidiano, o Top certificar ao Bottom que tudo se trata de interpretação de papéis (roleplay) e que não deve ser levado para fora da cena e ter aquela conversa franca depois da prática.

{“ FETICHE DA DISCIPLINA”} (Discipline Fetish) — Nesta, o uso da ferramenta é atrelado á uma punição por algo que o Bottom “fez errado” e ao fetiche da Disciplina. Logicamente o fundamento é que este “castigo” na verdade é um prêmio e a situação em si é como um jogo ou brincadeira (roleplay) que compõe a cena (não confundir com abuso real).

Costuma-se montar a cena de 3 formas bastante comuns.

Em uma delas, o Top age comandando o Bottom e o atinge por “estar sendo muito lento” ou por “ter falhado em uma tarefa na cena”, adotando o exato estilo de um domador, senhor de engenho ou similar, sendo comum até mesmo aquele arquétipo de “dama rigorosa da aristocracia burquesa”. Esse estilo é muito comum em Pet Play.

Na outra, o que ocorre é uma interpretação de papéis (roleplay), e o Bottom caracteriza-se e age como se tivesse “feito algo errado” antes da cena, podendo estar no papel de um estudante rebelde, um escravo fugido ou até mesmo um criminoso a ser punido de alguma forma. E o Top, por sua vez, entra como um disciplinador ou carrasco. E procede com golpes repetidos até o final da “punição”.

E, na terceira prática mais comum, o que ocorre é um jogo na cena, aonde o Bottom recebe algumas tarefas do Top, e ao falhar nelas, recebe o a sessão de golpes como prenda. Pode-se também fazer deste modo uma competição entre dois Bottoms do mesmo Top, ao executarem a mesma tarefa em paralelo.

O fato é… O fetiche da disciplina com sadomasoquismo, baseia-se não só no apreço do Bottom pela dor, mas também no prazer e excitação que este tem ao sentir-se punido de uma forma essencialmente lúdica. Podendo logicamente o fetiche da Disciplina ser praticado de outras formas.

Bom… Espero que este artigo seja de seu agrado. E útil de alguma forma.

Façam bom proveito. Apenas mantenham meu crédito se for o caso de repassarem.

Autor: Don Marco Alighieri

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Conhecimento critico para praticas conscientes. Escrito por Lino Naderer e afins.

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