Aprendendo sobre Funishment pt 2

Segunda parte da série sobre funishment: aplicações práticas, exemplos e como negociá-lo de forma divertida e consensual.

Combinando Punição e Punidiversão sem Confusão
Punição e Punidiversão podem ser incorporados em uma dinâmica (em momentos diferentes, é claro), mas é preciso ter cuidado com o potencial de causarem distração e confusão. Quando a punidiversão é usada enquanto você ainda está fingindo que é uma punição por meio de dramatização, mas mesmo o “fingimento” pode se tornar real, assim como as punições reais podem começar a ser mais divertidas do que corretivas.
O perigo nisso é duplo: um, pode balançar para o outro lado e o punidiversão não parecer divertido e também pode fazer com que a punição não sirva mais ao seu propósito porque se torna divertido. É por isso que é importante distinguir claramente um do outro na prática em sua dinâmica e existem várias maneiras de fazê-lo.

Use atividades completamente diferentes
Sendo impactplay algo muito utilizado como diversão pelos masoquistas, alguns casais optam por não usar spanking como forma de punição, assim fica claro quando algo está sendo feito para correção, e algo está sendo feito para brincar. Ou se o controle do orgasmo é um divertimento, a mesma coisa se aplica, nunca é usado como punição.

As coisas nem sempre podem ser tão simples quanto eliminar completamente algo como forma de punição, mas é quando você modifica os detalhes para Punidiversão versus punição.

O Diabo mora nos detalhes

Os detalhes do tipo de ação usada podem abrir a porta para muitas possibilidades. Para simplificar um pouco, vamos nos concentrar nos 3 principais tipos de jogo usados tanto em punição quanto em diversão (e que facilmente levam os dois a se confundirem).

• Impactplay: A maneira mais comum de distinguir os dois em jogos de impacto é ter alguns implementos especificados para punição e alguns para punidiversão. Você também pode ter um certo número de golpes que é o mínimo para punição, ou ter um certo ritual quando se trata de diversão. Talvez a punição ocorra em uma determinada posição, certo quarto, certa hora do dia, certo tempo no “canto da reflexão” após a punição, ou talvez você só faça sua submissa contar os golpes durante a punição.

• Controle do orgasmo: muitas vezes é difícil manter como punição, porque as pessoas podem começar a apreciá-lo. Mas algumas maneiras que podem funcionar é como tease and denial, um número obrigatório de orgasmos forçados, ou total negação por um x período de tempo. Novamente, porém, quando você está lidando com orgasmo e liberação, pode ser fácil passar de corretivo para divertido ou o contrário, passar para limite.

• Humilhação/Degradação: Pode parecer estranho que estes sejam usados como diversão, mas na verdade é bastante comum. Normalmente objetificação, escrita corporal ou algum tipo de pose relacionada à humilhação quando se trata de diversão, mas desde que seu brat goste, e seja negociado, é um jogo justo. Apenas certifique-se novamente de que o que você usa para se divertir, você também não usa como punição.


Preparando a cena
A última maneira de mantê-los separados é tratando o momento de maneira diferente. Isso coloca você e seu brat no espaço certo. Se você está corrigindo seu submisso, ele precisa entender que não é hora de brincar. Seu tom, linguagem corporal e as palavras que você usa podem ajudar a comunicar isso.

Algo que eu usei bastante para separar os momentos é definir junto ao bottom as formas de lidar com as situações.

Tinha uma bottom que falava bastante palavrão, mas não queria que ela parasse, porém a cada palavrão que era falado aumentava o numero de golpes de um certo objeto de acordo com a gravidade das palavras, ela se complicava ao pensar no acúmulo que estava fazendo. Era parte da nossa diversão pensar a respeito e ver o jogo desenrolar durante o dia ou “discutir” se o número estava certo.

Até o spanking que era algo que gostávamos, poderia ser usado como punição, tudo dependia da seriedade e tom usado para iniciar a punição, geralmente o motivo da punição era necessário ser repetido em voz alta, para que fosse fixada a informação e o entendimento do porque aquela situação era séria e diferente das outras.


Usando sua voz para definir a cena

Definir a cena nem sempre é sobre o espaço físico, é também sobre como definir a cena em termos de energia e humor. A ferramenta chave para fazer exatamente isso é a voz do Top.
Há uma diferença muito clara entre quando um Top diz “Quarto, agora!” em uma voz de comando versus “É melhor você começar a caminhar para a caralha do quarto brat dos infernos” em um tom mais brincalhão. Há uma maneira mais clara em que podemos dizer quando alguém passou dos limites da linha do brat para desobediência ou desrespeito.

Brats gostam de discutir ou discordar geralmente então uma forma de lidar com situações sérias é o momento da palavra, do “agora você vai ouvir sem me interromper” não com raiva ou qualquer coisa para incutir culpa, mas declarações claras e curtas como “Fique na posição”, “Eu não ouvi uma contagem”, e algum tipo de diálogo forte, curto, mas muito impactante sobre o comportamento que levou à situação de punição.

O Funishment, por outro lado, tem um tom mais agradável. Ainda pode haver uma força por trás de sua voz, mas também uma suavidade e um tom brincalhão com frases destinadas a uma provocação sexy. Frases como “então vou ter que prender sua lingua na sua orelha pra poder parar de falar besteiras?”, “você tem certeza que foram só 10? Eu tenho certeza que foram 9” e coisas assim que os dois entendam o tom da piada e provocação erótica.

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Conhecimento critico para praticas conscientes. Escrito por Lino Naderer e afins.

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