O que exatamente é Kink?

Define o conceito de kink, suas diferentes manifestações e como ele se relaciona — e difere — do BDSM e do fetiche.

Quando você pensa em “kinky”, o que vem à mente? Chicotes? Couro? Enfermeiras safadas enfiando termômetros no seu traseiro? Você deve ser uma pessoa muito perturbada… Pelo menos era isso que os psiquiatras costumavam pensar — literalmente.

A palavra “kinky” (do holandês, significando “corda torcida”) vem sendo usada com o sentido de “estranho” desde os anos 1800, e para descrever pessoas e comportamentos “excêntricos” desde os anos 1900. Foi só nos anos 1960 que o termo passou a significar “sexualmente perverso”, e desde então ficou associado a pessoas que praticam comportamentos sexuais não convencionais.

O kink cobre um espectro muito amplo e pode ser usado para rotular praticamente qualquer prática sexual que se desvie das concepções tradicionais ou convencionais do que seria um comportamento sexual “adequado”.

Então, quando alguém diz “sou kinky”, o que exatamente isso quer dizer?


Todo mundo é Kinky?

Medir com precisão o comportamento sexual “típico” de uma população ampla é algo difícil. Pesquisadores da sexualidade humana como Alfred Kinsey e Edward Laumann já investigaram essa questão com resultados impressionantes. Mas, até hoje, o Centro de Controle de Doenças (CDC) nunca incluiu em seus questionários a pergunta:

“Qual foi a coisa mais kinky que você já fez?”

Ainda assim, não seria exagero dizer que todo mundo exibe algum grau de kink em sua vida sexualse considerarmos kink como qualquer prática que se desvie, de alguma forma, da média, do convencional ou da norma vigente.

A matemática é simples: o número de pessoas que consegue expressar sua sexualidade exatamente da mesma forma média em todos os aspectos, o tempo todo, é praticamente nulo.

Pense bem:
Quem você conhece que teve exatamente o número médio de parceiros sexuais ao longo da vida (cerca de sete, segundo o Instituto Kinsey)?
Quem tem exatamente o número médio de orgasmos por mês (cerca de oito)?
E sempre, exclusivamente, na posição média (qual seria… talvez missionário?)?

Por definição, essa pessoa está tendo um sexo médio.
Parece… bem… medíocre, né?

Em qualquer grupo grande de pessoas, você encontrará variedade e diferenças individuais. Sempre haverá pessoas que se desviam da terrível chatice de simplesmente ser “mediano”. Algumas dessas expressões sexuais diferentes são aquilo que rotulamos como “kink”.

Por outro lado, o grau de kink ou os fatores que excitam sexualmente uma pessoa variam de indivíduo para indivíduo. Certamente, nem todo mundo no mundo é um fetichista por couro em estado latente, e seu típico dominante de bondage com cordas definitivamente não está morrendo de vontade de ser amarrado.

Faz sentido que os gostos sexuais vão de incomuns, mas leves, até intensos e extremos, já que a palavra “kinky” é usada principalmente para criar contraste com o sexo tradicional “baunilha” — hétero, na posição missionária. Sexólogos se referem a esse sexo baunilha e aos valores culturais associados a ele como heteronormativos (hetero, de “heterossexual”, + normativo, de “o que é certo, o que deveria ser*”).

Em vez de se preocupar com a prevalência do kink na população geral, o mais importante é focar na essência do que torna um relacionamento kinky possível:

O que você gosta? O que seu parceiro(a) gosta?
O que vai permitir que vocês brinquem juntos?

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Conhecimento critico para praticas conscientes. Escrito por Lino Naderer e afins.

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