Consentimento em Relacionamentos de Troca de Poder
Kayla Lords e John Brownstone
Speaker 1 [00:00]
Speaker 2 [00:11]Você está ouvindo o mini episódio número 54 do podcast Loving BDSM. Kayla Lords aqui com o único, o inigualável… já tomou café o suficiente?
Speaker 1 [00:19]Tô chegando lá.
Speaker 2 [00:19]Ok, continua, continua tomando. John Brownstone. Um grande obrigado aos nossos apoiadores lá no patreon.com/KaylaLords por tornarem esse episódio possível.Essa semana, a gente vai falar sobre algumas coisas que você precisa lembrar sobre consentimento em um relacionamento de troca de poder.Não é tão diferente do consentimento em qualquer outro tipo de relação, mas às vezes, relações D/s precisam de um lembrete.Bem-vindos ao Loving BDSM Podcast. Se é a sua primeira vez ouvindo, que bom ter você aqui. Se você já voltou mais uma semana, bem-vinde de volta. Volte sempre e sinta-se à vontade para adicionar o podcast no seu app favorito.Você também pode seguir o show no Twitter, no Fetlife como Loving BDSM, no Instagram como @lovingbdsmpc — eu vou odiar pra sempre esse nome. Também tem o @lovingds1 ou no YouTube em youtube.com/lovingbdsm. Todos os links estão nas notas do episódio em lovingbdsm.net.
Speaker 1 [01:08]Consentimento e negociação acontecem todos os dias.
Speaker 2 [01:11]Muita gente acha que sentou pra negociar sua troca de poder, teve uma, duas, talvez até três conversas inteiras…
Speaker 1 [01:18]Tipo “pronto, resolvido”.
Speaker 2 [01:19]E acabou.
Speaker 1 [01:20]É… não.
Speaker 2 [01:20]“Já negociamos, então nunca mais precisamos renegociar.” Mas, na real, você renegocia todo dia.É sutil, mas todo dia.Todo dia, um submisso tem que decidir: “Eu vou fazer aquilo que eu disse que faria?”Todo dia, o dominante tem que pensar: “Eu vou cumprir aquela regra, aquele protocolo, aquela expectativa? Eu vou fazer aquilo que eu disse que faria?”Então, na verdade, vocês estão negociando constantemente, um com o outro e consigo mesmos.E em qualquer momento, pode ser que algo precise mudar no que vocês achavam que ia funcionar na relação D/s.Alguém pode precisar dizer: “Não quero mais isso” ou “Esse momento não é o certo.” E isso é negociação.Porque negociação é só uma palavra chique pra uma conversa.Então você está sempre fazendo isso — às vezes de forma mais sutil, às vezes mais evidente — mas é todo dia.
Speaker 1 [02:09]Submissives podem dizer não.
Speaker 2 [02:11]Eu queria não ter que dizer isso, queria que fosse óbvio. Mas sim, um submisso pode dizer não.O jeito que esse “não” soa e como ele é dito pode variar dependendo do que vocês negociaram na relação.No nosso caso, a gente não tem horários fixos pra discutir a situação da nossa troca de poder — só fazemos isso quando queremos.Se tem algo no horizonte, a gente conversa.Se estamos no meio de um momento intenso, uma cena, sei lá, e algo não parece certo pra mim, algo está estranho…Eu posso optar por sair daquilo.Agora, se eu disser “não” pra algo que normalmente diria “sim”, isso já significa que vai ter uma conversa depois, né?Mas eu não perdi o direito de dizer “não” só porque, uma vez, eu disse “sim” pra ser submissa.
Speaker 2
Eu não assinei um contrato que diz que, agora que sou submissa, não posso mais dizer “não”. Isso não existe.
E se alguém está dizendo que você, como submisso(a), não pode dizer “não”?
Corre.
Speaker 1 [03:03]
Corre. Vai embora.
Speaker 2 [03:04]
Vaza. Corre.
Porque isso não é consensual. Isso não é troca de poder. Isso é abuso.
Agora, isso não quer dizer que a conversa vai ser fácil.
Se você diz “não” pra uma coisa que antes era “sim”, isso talvez cause uma reação.
Talvez gere frustração. Talvez exija mais diálogo.
Mas isso não invalida o seu direito de dizer “não”.
O mesmo vale pro dominante.
Se algo não está funcionando, se alguma parte do protocolo, do contrato, da rotina não está legal, ele também pode parar e dizer:
“Ei, precisamos conversar sobre isso.”
Speaker 1 [03:30]
E isso acontece com a gente.
Speaker 2 [03:32]
Direto.
A gente já teve momentos em que você, como dominante, falou:
“Olha, isso aqui não está funcionando. Vamos mudar.”
Às vezes você pergunta: “Como você se sente com isso?”
E às vezes só diz: “Vamos fazer de outro jeito.”
E depois discutimos.
Speaker 1 [03:44]
É um processo. Um fluxo constante.
Speaker 2 [03:45]
Exato.
Não é estático. Não é uma vez e pronto.
Você vai precisar revisitar conversas, reafirmar consentimentos, fazer ajustes.
E não tem nada de errado com isso.
Isso não significa que o relacionamento está quebrado.
Na verdade, significa que ele está vivo. Que vocês estão prestando atenção um no outro.
Speaker 1 [04:01]
Que vocês se importam.
Speaker 2 [04:02]
Sim. Que vocês se importam.
Que vocês querem fazer dar certo.
E isso exige trabalho.
E, honestamente, às vezes a gente esquece disso.
Acha que, só porque já tivemos “a conversa”, nunca mais precisamos ter de novo.
Speaker 1 [04:12]
Mas as pessoas mudam.
Speaker 2 [04:13]
As pessoas mudam, as circunstâncias mudam, os limites mudam, o conforto muda, a química muda…
Então a negociação — que, de novo, é só uma conversa — precisa acontecer de novo.
E às vezes, sim, é sobre consentimento.
“Eu ainda quero fazer isso?”
“Isso ainda me dá prazer?”
“Isso ainda me faz sentir seguro(a), respeitado(a), valorizado(a)?”
E se a resposta for não…
Então você tem que falar sobre isso.
Speaker 2 [continuação]
E sim, pode ser desconfortável.
Pode ser difícil falar: “Ei, isso que a gente sempre fez… não tá mais funcionando pra mim.”
Mas vale muito mais a pena ter essa conversa do que continuar fazendo algo que te machuca, te incomoda ou te faz se sentir mal.
Speaker 1 [04:48]
Ou que acaba criando um ressentimento.
Speaker 2 [04:50]
Isso!
Porque você continua dizendo “sim” só porque acha que “deveria”, mesmo querendo dizer “não”.
E aí você começa a se ressentir da pessoa.
E ressentimento é veneno pro relacionamento.
Speaker 1 [05:00]
Sim, e mesmo do lado do dominante…
Se eu me sentir obrigado a continuar fazendo algo que não funciona mais pra mim, também vou começar a me sentir mal.
E aí isso afeta tudo.
Speaker 2 [05:10]
E é por isso que a gente diz: negociação e consentimento são constantes.
Não é um item riscado da lista.
É algo que faz parte da vida do relacionamento D/s.
Todo dia, em pequenas ou grandes formas.
E sim, submissives podem dizer não. Dominantes também.
E todo mundo tem o direito de mudar de ideia.
Speaker 1 [05:28]
E isso não invalida o que foi antes.
Speaker 2 [05:30]
Exato.
Mudar de ideia não significa que você estava errado antes.
Só significa que você é humano.
E está prestando atenção em si mesmo.
E se você está numa relação onde a outra pessoa não aceita isso?
Onde o “não” é desrespeitado?
Onde mudar de ideia é visto como traição?
Speaker 1 [05:45]
Isso é um grande sinal de alerta.
Speaker 2 [05:47]
É hora de reavaliar tudo.
Porque um relacionamento D/s saudável se baseia em confiança, comunicação e consentimento contínuo.
Sem isso? É só controle e abuso disfarçados de D/s.
Speaker 1 [05:59]
E ninguém merece isso.
Speaker 2 [06:00]
Exato.
Todo mundo merece estar numa relação onde se sinta seguro(a), ouvido(a) e respeitado(a).
Seja como submisso(a), dominante ou switch.
Negocie sempre. Converse sempre.
E lembre que o “não” também é parte do consentimento.
Speaker 2
Se tem algo que queremos que você tire desse episódio curto é isso:
Negociação não é só uma etapa do começo.
É parte do relacionamento inteiro.
Consentimento não é dado uma vez e pronto — ele é reafirmado todos os dias.
E submissives sempre podem dizer não.
Speaker 1 [06:21]
Sempre.
Speaker 2 [06:22]
Dominantes também.
E isso não te torna menos submisso ou menos dominante.
Te torna responsável. Maduro. Cuidadoso. E respeitador da outra pessoa.
Então é isso.
Mini episódio de hoje — lembrete rapidinho.
Speaker 1 [06:35]
Mas importante.
Speaker 2 [06:36]
Muito importante.
Pra quem tá começando, pra quem já tá no meio do caminho, pra quem vive isso há anos.
A gente precisa sempre lembrar dessas coisas.
E, como sempre, obrigado por ouvir.
Se você quiser apoiar o que a gente faz, pode fazer isso no patreon.com/KaylaLords.
E não esquece de seguir a gente onde você escuta podcasts, ou nas redes sociais.
Speaker 1 [06:54]
E se cuida.
Speaker 2 [06:55]
Se cuida, mesmo.
A gente se vê na próxima.