Subspace, Subdrop e Aftercarepor Paul UKE

Paul UKE explora subspace, subdrop e aftercare com profundidade, detalhando os estados alterados de consciência e os cuidados necessários.

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Subspace, Subdrop e Aftercare
por
PaulUKE
66M Dom

Isso é algo que eu havia escrito na seção “escritos” do meu perfil, então pensei em compartilhar com um público mais amplo. Fiz isso por dois motivos: 1) para ajudar quem possa precisar de uma compreensão maior sobre subspace etc., e 2) para, com sorte, receber feedback de outras pessoas, para que eu possa melhorar isso para mim mesmo e para os outros.


Antes de ler isto, é importante entender que se trata de uma “visão geral”: alguns irão se identificar completamente, outros não irão experimentar NADA do que está aqui, e, claro, existem todos os casos intermediários.

Este texto é direcionado a submissives que podem experimentar o subspace e a Dominantes que não têm certeza sobre o que é subspace. Alguns submissives não sentem nada parecido com o que está descrito.
Só porque você não experimenta nenhuma das sensações a seguir, isso NÃO significa que há algo de errado com você ou que seu Dom/me está “fazendo algo errado”. É uma reação “pessoal e individual” a hormônios, endorfinas e encefalinas. Por exemplo: em alguns casos de rinite, um único grão de pólen provoca espirros incontroláveis; em outros casos, mesmo com alta concentração de pólen, só há um leve incômodo — e, claro, há todas as reações possíveis entre esses extremos.


O que é subspace?

Subspace é um estado alterado de consciência, que varia de pessoa para pessoa, mas sempre envolve uma alteração drástica da percepção. Alguns submissives ficam tão imersos nas sensações que se tornam completamente alheios a qualquer outra coisa — não sabem onde estão, nem que horas são, e, em alguns casos, chegam a perder a noção de quem são. Alguns podem até se desligar completamente, entrando em um estado de transe em que não estão conscientes de suas ações, experiências ou do ambiente. É um estado dissociativo geralmente causado por estimulação intensa — física e/ou emocional — durante uma cena, parcialmente relacionado à liberação bioquímica de endorfinas.
Ao sair do subspace, geralmente a sensação não é desagradável, e muitos têm consciência de que “algo” aconteceu, mas não se lembram dos detalhes. Alguns submissives adoram entrar em subspace a ponto de o Dominante ter extrema dificuldade em trazê-los de volta — eles simplesmente querem permanecer ali. Por outro lado, alguns submissives se recusam a entrar em subspace, pois detestam a sensação de dissociação e outros efeitos que o subspace pode causar; para esses, o subspace pode ser considerado um “hard limit”.


O que é subdrop?

Sair do subspace pode ser angustiante, pois a produção de endorfinas e outros químicos cessa (pela falta de estímulo), o que pode gerar sentimentos repentinos de depressão, carência e dependência. Esse estado é conhecido como subdrop e costuma ser indesejado. Seus efeitos se assemelham a um estado depressivo, e podem aparecer até dias depois da cena.
Mesmo depois de descansar ou dormir, o submissive pode ter explosões emocionais repentinas: choro, medo, felicidade etc. Dominantes devem enxergar esses sinais como um pedido de conforto: abraçar, tranquilizar, dizer ao submissive o quanto ele(a) é importante. O submissive pode ansiar por atenção, e muitas vezes sua mente sente ter perdido a grande atenção recebida durante a cena, o que gera desconforto e emoções à flor da pele durante o subdrop.
Além disso, as altas quantidades de hormônios naturais (endorfinas, adrenalina etc.) ainda estão circulando pelo corpo do submissive, e podem demorar horas ou até dias para voltarem ao normal. O impacto psicológico exato varia muito entre as pessoas, e as interações entre esses processos não são bem compreendidas. Todas as informações sobre o tema vêm de observações casuais e relatos, não de estudos científicos rigorosos. Vale lembrar também que alguns submissives que passam pelo subdrop preferem ser deixados sozinhos para se recuperar, pois qualquer cuidado pode ser incômodo para eles.
Ou seja, as reações do submissive ao subspace e subdrop são muito pessoais e individuais, e só podem ser avaliadas pelas pessoas envolvidas.


Processos fisiológicos

Durante a cena, as experiências intensas de dor e prazer ativam a resposta do sistema nervoso simpático, liberando epinefrina (adrenalina) pelas glândulas suprarrenais, além de endorfinas e encefalinas produzidas pela hipófise e pelo hipotálamo. Essas substâncias naturais, ligadas à resposta de luta ou fuga, têm efeitos semelhantes aos de drogas opiáceas: aumentam a tolerância à dor conforme a cena se intensifica, podendo levar a um estado de transe provocado pelos hormônios e químicos em alta. O submissive pode se sentir fora do corpo, desligado da realidade e, quando a adrenalina baixa e o sistema nervoso parassimpático entra em ação, vem a exaustão profunda e a dificuldade de raciocinar.
Muitos submissives, ao atingir o auge do subspace, perdem completamente a sensação de dor, e qualquer estímulo prolonga esse estado.

Encefalina:
Dois tipos de pentapeptídeos com atividade opioide e analgésica, que ocorrem naturalmente, principalmente no cérebro, com alta afinidade por receptores de opiáceos/opioides.

Endorfinas:
Grupo de pequenas proteínas produzidas naturalmente no cérebro, em terminações nervosas, que se ligam a receptores de opiáceos, aumentando o limiar de dor. As encefalinas fazem parte desse grupo.

Epinefrina (Adrenalina):
Hormônio natural liberado pelas glândulas adrenais, que aumenta a força e velocidade dos batimentos cardíacos, melhora a respiração dilatando as vias aéreas e desvia o fluxo sanguíneo para os músculos, permitindo maior desempenho em situações de esforço.
Outros hormônios, como oxitocina, dopamina e serotonina, podem ter influência menor no subspace e subdrop — mas essa é uma área na qual não tenho uma opinião definitiva e ficaria grato em saber mais se alguém puder compartilhar.


Recuperação do subspace (Aftercare)

Este é um tema ambíguo, então vou tentar dar uma visão geral do aftercare a partir de várias fontes. Você pode ter seu próprio jeito de cuidar de seu submissive, que pode não estar aqui ou até mesmo contradizer o que digo. De qualquer forma, estou aberto a correções ou complementos.

Descansar ajuda, e o submissive pode querer cochilar para aliviar as sensações do subspace. Beber bastante água, manter-se aquecido e contar com a presença do Dominante são pontos que ajudam muito. Um banho morno também pode ajudar o submissive a se sentir melhor.
Não se surpreenda se o submissive ficar carente nesse período — é a forma que encontra para buscar conforto e segurança nos braços do Dominante, e isso geralmente passa em um ou dois dias.
O mais importante que Você, como Dominante, pode fazer é estar presente quando seu submissive atingir o subspace, pois, nesse estado de euforia causado pelas endorfinas, ele(a) pode estar inconsciente ou incapaz de pensar ou andar direito. Esse é um momento perigoso para deixá-lo(a) sozinho(a), pois sua capacidade de agir racionalmente estará comprometida.
Converse com cuidado e faça perguntas simples que exijam apenas respostas básicas de “sim” ou “não”, pois perguntas complexas podem ser incompreensíveis para quem está em subspace.
Para trazer o submissive de volta, é importante focar sua atenção em você, mas sem oferecer estímulos adicionais, usando comandos simples como:

  • “Aperte minha mão”;
  • “Você consegue me ouvir?”;
  • “Abra os olhos”;

Esses comandos simples ajudam a verificar se ele(a) está consciente. Às vezes, a única resposta será um leve aperto de mão — use isso para confirmar que está sendo ouvido(a).
O submissive pode ficar com comportamento quase infantil nesse estado: rir, falar coisas desconexas ou ter dificuldade de formar frases mais elaboradas. É um estado de êxtase que dificilmente pode ser descrito em palavras, sendo melhor compreendido na prática.
O subspace pode durar de algumas horas até vários dias, em intensidades variadas, mas na maioria dos casos, o submissive conseguirá se cuidar sozinho(a) em 30 minutos a 1 hora. Quando parecer recuperado(a), ofereça água ou um lanche leve.
Este texto é apenas uma reunião de informações que busquei para promover um entendimento mais amplo sobre a recuperação do subspace — não é uma regra ou manual definitivo, apenas uma tentativa de ajudar quem deseja aprender mais.


ATUALIZAÇÃO

Tive algumas experiências práticas e gostaria de compartilhar minhas observações. Por favor, note que isso se baseia apenas na minha própria submissive e pode não se aplicar a você.

Minha menina entrou em subspace algumas vezes — às vezes depois de uma boa sessão de spanking, às vezes só por ter múltiplos orgasmos — mas em todas foi difícil tirá-la de lá. Em alguns momentos tentei acariciar para tranquilizá-la, mas ela reagiu como se tivesse levado um leve choque elétrico: ficou hipersensível. Então, precisei usar apenas a voz suave, sem gritar, apenas tranquilizando.
Também experimentei perguntar “O que você está sentindo?” ou “Me conte o que está acontecendo”, mas, como já havia alertado antes, percebi na prática que essas perguntas não funcionam — pois ela não respondia!
As perguntas simples se mostraram muito mais eficazes: “Abra os olhos”, “Aperte minha mão”, “Você sabe que estou aqui, não sabe?”. Ela tinha dificuldade até de abrir os olhos, e só soltava um “hmm” como resposta — mas apertava minha mão. O segredo é ser paciente, cuidadoso e nunca deixá-la sozinha até ter certeza de que voltou ao normal.

Outra coisa que notei foi que, depois do subspace, ela costuma chorar sem motivo aparente. Perguntei mais tarde como era o subspace para ela, e ela descreveu como se estivesse em um “espaço branco”: calmo, eufórico, viciante — um lugar de onde ela não queria sair, mas não sabia explicar exatamente o porquê; só sabia que era maravilhoso. Quanto ao choro, disse que simplesmente não conseguia segurar as lágrimas, mesmo sem saber a razão.

Como disse no início, são apenas observações da minha submissive, mas espero que ajudem ainda mais. Ficaria muito feliz em saber como seus submissives reagem!

E, como já disse, isso não é um manual definitivo — apenas o que consegui reunir de diversas fontes para tentar ajudar quem quer saber mais. Se encontrar algo incorreto, por favor, não ataque, apenas me diga o que discorda ou onde acha que posso ter errado.

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Conhecimento critico para praticas conscientes. Escrito por Lino Naderer e afins.

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