A Epistemologia das Mentiras: Ashley Madison e o Que os Dados Revelam

Russell J. Stambaugh PhD DST CSSP — Elephant in the Hot Tub Publicado originalmente em: 1º de setembro de 2015 | Ver original Um dos mistérios estáveis na pesquisa sexual envolve as diferentes porcentagens de homens e mulheres que admitem ter sexo fora do casamento. No início dos anos 1950, Alfred Kinsey estimou que cerca…

Russell J. Stambaugh PhD DST CSSP — Elephant in the Hot Tub

Publicado originalmente em: 1º de setembro de 2015 | Ver original

Um dos mistérios estáveis na pesquisa sexual envolve as diferentes porcentagens de homens e mulheres que admitem ter sexo fora do casamento. No início dos anos 1950, Alfred Kinsey estimou que cerca de metade dos homens e um quarto das mulheres admitiam ter sexo extraconjugal. No início dos anos 1990, o relatório Janus sugeria um terço dos homens e um quarto das mulheres. Em 1994, Laumann e colegas relataram que cerca do dobro dos homens admitiram se aventurar em relação às mulheres. Em 2015, um estudo relatou taxas quase idênticas de infidelidade entre homens e mulheres pela primeira vez.

O Caso Ashley Madison

Essa propensão para exagerar e minimizar a atividade extraconjugal em pesquisas empalideçe em comparação com a análise do banco de dados do Ashley Madison por Annalee Newitz, publicada no Gizmodo.com. Newitz sugeriu que a maioria dos 22 milhões de usuários eram do sexo masculino, e que apenas cerca de 10.000 dos que criaram perfis femininos já os usaram mesmo uma única vez para entrar em contato com alguém pelo site. Dois dias depois, Newitz recantou sua análise. Aqueles campos vazios nos perfis femininos não refletiam a iniciação de contatos com homens, mas mantinham dados sobre as comunicações do Ashley Madison com elas. O Ashley Madison estava enviando comunicações robóticas para homens, criando a ilusão de que mulheres sedutoras prontas para aventuras os estavam solicitando.

O Ashley Madison funcionou essencialmente como um negócio de fraude em grande escala: manter homens heterossexuais em busca de mulheres presos pagando mensalidades com perfis falsos e propostas geradas por computadores, com escassa possibilidade de qualquer contato real.

Lições Aprendidas

  • A segurança na internet é um oximôro funcional. Você tem muito menos do que pensa. Não faça nada aqui que não queira que seu pior inimigo saiba.
  • Os motivos das pessoas para aventuras extraconjugais são muito diversos. Não refletem simplesmente falha moral ou hostilidade a seus cônjuges.
  • Você não sabe muito sobre seu parceiro depois de encontrar seu nome no hack do Ashley Madison. A maioria dos homens não teve aventuras, e um bom argumento poderia ser feito de que o Ashley Madison foi um auxílio à fantasia para muitos.
  • Expor pessoas por sua conduta sexual é ruim. Não há fim que justifique esses meios. A vergonha sexual é simplesmente bulling por meios privilegiados.

O hack do Ashley Madison, como tantas outras epistemologias, responde apenas a algumas perguntas, levanta muitas novas e revolve as águas turvas de novas maneiras que obscurecem algumas coisas mesmo enquanto revela outras. Estamos vendo que a fantasia não é politicamente correta porque essa não é sua função.

© 2015 Russell J. Stambaugh, Ann Arbor, MI. Fonte: elephantinthehottub.com — Traduzido e adaptado para o BDSM Brasil.

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Conhecimento critico para praticas conscientes. Escrito por Lino Naderer e afins.

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