“Acreditamos nas Vítimas”… Sério?

HaikuStunGun sobre mulheres que dizem ‘acreditamos nas vítimas’ mas só quando são amigas delas — e como minimizar experiências de vítimas é uma forma de cumplicidade com abuso.

Ética Comunitária · Segurança · BDSM Brasil

“Acreditamos nas Vítimas”… Sério?

por HaikuStunGun

BDSM Brasil · HaikuStunGun

Texto de HaikuStunGun — traduzido e adaptado pelo BDSM Brasil. Uma crítica direta ao comportamento de mulheres que aplicam o princípio de “acreditar nas vítimas” de forma seletiva — apenas quando as vítimas são amigas ou aliadas.

É genuinamente náuseo de ver. Tem havido algumas perspectivas perturbadoras sobre violações de consentimento, comportamento predatório e divulgação pública no meu feed ultimamente. Rápidas em oferecer comentários ou minimizar as experiências vividas de outras, essas mulheres parecem aplicar a humanidade de uma afirmação como “acredite nas vítimas” apenas se uma de suas amigas ou aliadas estiver fazendo acusações. No entanto, parecem ter muito a dizer sobre outras mulheres que NÃO são suas amigas e que escolhem falar publicamente sobre o dano que predadores e outros atores prejudiciais fizeram.

É vulgar e desumanizante.

Essas mulheres problemáticas também parecem mais do que ansiosas para arregimentar apoio para homens acusados de abuso. Sempre lá para oferecer orientação e suporte emocional para os que foram credencial-mente acusados de violações de limites, parecem ter poucas palavras gentis para os que suportaram esse abuso e foram corajosos o suficiente para falar sobre ele.

O que as pick-mes fazem

Essas pick-mes afirmam “acreditar nas vítimas” enquanto simultaneamente gritam que os acusadores poderiam ter feito mais para prevenir o abuso que receberam. Afirmam que os acusadores não sabem negociar, não têm nada a fazer no kink por falta de educação, experienciaram um “simples mal-entendido” ou representaram completamente erroneamente o que lhes aconteceu.

Essas mulheres dizem poucas palavras condenando o dano feito pelos abusadores, mas têm volumes a dizer sobre como os que experienciaram o trauma deveriam ter se comportado. Elas prefeririam que os acusadores abracem o silêncio em vez de “arrastar” os acusados falando sua verdade.

A menos que os acusadores sejam amigas delas! Aí essas mulheres oferecem uma abundância de apoio e entusiasticamente rúnem as tropas.

O que deveria acontecer

Nós mostramos nossa verdadeira humanidade quando apoiamos estranhos, não apenas quem está em nossa órbita.

Ninguém está jogando os acusados e abusadores numa fogueira quando as pessoas compartilham histórias de trauma que o acusado infligiu. Compartilhar nossas histórias é como começamos a reparar o dano que foi feito. Os acusados também são pessoas, e têm o poder de parar de criar situações em que infligem dano.

Acima de tudo, devemos apoiar as vítimas enquanto trabalham para reparar suas psiques, suas almas e vão além dos grandes danos que sofreram. Atacá-las, minimizar suas experiências ou chamá-las de mentirosas perpetúa um sistema que é contraproducente à filosofia do kink.

Para todas as pick-mes, todos os abusadores e violadores de limites: que vocês tenham o dia que merecem.

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Conhecimento critico para praticas conscientes. Escrito por Lino Naderer e afins.

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