Autismo, Limites e Atualizações da Vida

Leaning mais em mim mesma significa leaning mais nos meus traços autísticos. DaringDeer compartilha sua jornada de 1,5 ano de estabelecer limites como pessoa no espectro.

Autoconhecimento · Neurodivergência · BDSM Brasil

Autismo, Limites e Atualizações da Vida

por DaringDeer · BDSM Brasil

Texto de DaringDeer — traduzido e adaptado pelo BDSM Brasil. Um diário pessoal sobre a jornada de 1,5 ano estabelecendo limites como pessoa no espectro do autismo — e o que acontece quando você finalmente começa a estabelecê-los em relacionamentos antigos.

Ao longo dos anos, trabalhei em limites e em como minha vida deveria ser estruturada. Ficou claro que a forma como minha vida era antes não estava funcionando para mim. Então fui trabalhando para descobrir qual forma de vida funcionaria. E é aí que limites e o autismo entram em cena.

Tem ficado cada vez mais claro que minha experiência de vida está intimamente relacionada à de muitas pessoas no espectro. Isso significa que a norma da vida diária não me serve. Não me encaixo nela. Isso também inclui relacionamentos pessoais (amigos, família, amantes). Sou muito mal compreendida, e eu também compreendo mal as pessoas com frequência. Por anos li as pessoas, criando regras inconscientes na minha cabeça para me encaixar e ter relações funcionais. Só que nunca pude realmente ser eu mesma, pois isso significaria colocar de lado meus sentimentos e confusões para agradars a eles e a norma.

Frequentemente preciso ter fatos concretos para entender do que estamos falando e para onde pode levar. Não sou boa com coisas abstratas. E mesmo tendo aprendido o que a maioria das expressões cotidianas significa numa escala lógica — e conseguindo dar uma resposta adequada — descobri que isso não é a mesma coisa que realmente entender.

No último ano e meio, realmente trabalhei nesses temas. Fiz terapia e encontrei uma pessoa em quem pude realmente me apoiar quando se tratava de “certo e errado”. Onde podíamos falar sobre necessidades e limites. Tentando identificar onde exatamente estavam meus limites, já que nunca aprendi isso. Descobri que a maioria das pessoas sente um desconforto e, portanto, sabe que, sem dizer nada ou estabelecer um limite, isso levaria a mais dor e relacionamentos não funcionais. (Minha mente explodiu.)

Inclinar-me mais para mim mesma significa inclinar-me mais para meus traços autísticos. Nesse processo, descobri que as pessoas me acham direta e dura, pois tenho mais tendência a dizer coisas que outros não diriam. Pequenas coisas que me incomodam. Ser honesta sobre objetos e pessoas de que não gosto. Aprendi que minhas intenções são frequentemente lidas pelas normas.

Por exemplo: se eu quero exemplos concretos para entender alguém, isso é lido como “quero que você mencione situações que agora não consegue lembrar, portanto não tem prova das suas afirmações, e se tiver exemplos vou agora discutir cada um deles com você”.

Não. Só preciso saber exatamente do que estamos falando.

Se eu quero uma visão da sua agenda: “Estou controlando e não confio em você”. Não. Só gosto de ter previsibilidade. E quando você é uma pessoa próxima de mim, é onde mais preciso disso. Não vou me perguntar quando vou te ver de novo quando sei que você trabalha em determinado horário. Não vou sentir falta quando sei que você foi passear com os amigos. E definitivamente não vou esperar comunicação se sei que você saiu à noite.

Fui identificando coisas em meus relacionamentos atuais que me entristeciam e me machucavam. Situações onde as coisas realmente me incomodavam, mas eu havia enterrado dentro de mim e criado uma longa discussão interna sobre o que era certo e errado. E nunca chegando a nenhuma conclusão. Claro que eu queria fazer algo a respeito, para tentar construir uma vida funcional para mim mesma.

Mas ao estabelecer limites em relacionamentos que são velhos — e onde limites saudáveis nunca foram realmente exercidos — isso significa perder amigos e pessoas próximas. Aparentemente. Eu estava preparada para isso. E ficou bastante claro, desde o início, onde essas perdas aconteceriam. Quase foi mais difícil estar nessa ‘posição de espera’, e aguardar para ver se e quando os relacionamentos iriam romper. E agora que a colheita dos frutos, crescidos de sementes que plantei há muito tempo, finalmente está acontecendo — tenho uma resposta concreta sobre se e quando. Isso de certa forma me dá alívio.

Estava preparada para isso por 1,5 ano.

Então por que ainda doe?

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Conhecimento critico para praticas conscientes. Escrito por Lino Naderer e afins.

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