D/s sem protocolo e punição

Argumenta que relacionamentos D/s não exigem protocolos rígidos ou punições formais para funcionar, explorando formas mais fluidas e orgânicas de troca de poder.

Texto de pepper_pots tradução por Vicky

Na minha experiência na comunidade fetichista/kink, algumas das perguntas mais comuns feitas por quem é novo na comunidade são sobre desenvolver protocolos e como/quando utilizar de punições. Ao mesmo tempo que acho um questionamento válido, também penso que frequentemente as pessoas novas no relacionamento D/s assumem que protocolos e punições são requisitos padrão para uma relação bem sucedida.

 Para mim, não são.

 Na última semana, eu tive o maravilhoso privilégio de participar de uma festa do chá que utilizava de uma estrutura de alto protocolo. Eu acabei comentando com um dos anfitriões que eu estava aproveitando bastante, porque eu e meu parceiro não costumamos usar do alto protocolo e foi muito divertido jogar com esse aspecto em particular da nossa relação no contexto da cena.

 Na minha atual relação D/s, eu não tenho regras ou protocolos. Eu tenho declaração de missão. Essa declaração de missão é tão simples quanto “cuide dele, escute ele, cuide das necessidades dele”. Não é algo que foi não é algo que já foi oficialmente redigido antes deste artigo, mas sim a base sobre a qual construimos nosso relacionamento no começo. Isso nos permite flexibilidade para definir o que é melhor no momento, e permite que nossa relação flutue com o passar do tempo, sem nos preocuparmos em esbarrar na estrutura que construímos juntos.

 Da mesma forma, minha relação atual não tem uma dinâmica de punição. Claro, ele é tecnicamente livre para me punir se achar que é adequado, até porque está dentro da nossa dinâmica fazê-lo, mas não é algo que desempenha um grande papel na nossa relação. Isso se deve em parte ao fato de que regras mínimas significam motivo mínimo para punição. Mas isso também me permite sentir mais seguro na nossa dinâmica já que significa que ele escolhe acreditar que estou fazendo meu melhor e se uma tarefa não está sendo concluída ou eu estou agindo de forma inadequada, é provável que seja devido a um fator externo que precise de ajuda ou precise falar sobre em vez de algo que mereça punição.

 Como uma observação importante, do ponto de vista do behaviorismo, o reforço positivo é frequentemente mais eficaz do que a punição quando se trata de pura modificação do comportamento. Veja, os humanos são inconsistentes (apenas por existir). Se você punir inconsistentemente um comportamento negativo, você está inadvertidamente reforçando o comportamento. Se você inconsistentemente (ou aleatoriamente) reforçar um comportamento positivo, você pode realmente criar e manter o hábito de comportamentos positivos. Ciência!

 Dito isso, esse estilo de relacionamento tem seus prós e contras, como a maioria dos relacionamentos. Essa relação funciona para mim porque meu objetivo geral é ser bom para o meu parceiro, e fazer isso por qualquer meio necessário. E como uma pessoa intensamente eficiente, isso me permite a flexibilidade para servi-lo da maneira que atende às suas necessidades de forma mais eficaz, em comparação com fazer as coisas da maneira “certa”. Adoro o sentimento de competência que vem de encontrar melhores maneiras de servi-lo. Não ter uma dinâmica de punição me permite sentir-me seguro em nossa dinâmica, e facilita discussões importantes sobre maneiras que eu possa estar lutando, física ou emocionalmente.

 Os maiores contras dessa relação vêm da falta de estrutura. Sem regras, o submisso tem que fazer suposições educadas sobre o que eles devem estar fazendo a qualquer momento, ou ser dito naquele momento por seu Dominante. Também pode deixar o submisso se sentindo perdido, ou como se seu Dominante não se preocupasse co ele, porque os protocolos são frequentemente uma ferramenta eficaz para reforçar uma dinâmica D/s. 

 Quando a dinâmica D/s não inclui punição, ela pode deixar o submisso se sentindo sem controle e pode fazer com que o submisso “atue” para que o Dominante o note e o coloque de volta em seu lugar. A punição pode ser usada para reforçar o poder do Dominante e a obediência do submisso. 

 Quando você remove essas duas coisas, você fica com uma dinâmica D/s que é mais conceitual do que concreta. Meu Dominante está no controle 100% do tempo, mas se você não observar com atenção, pode não perceber de imediato. Mas minha alma e meu coração pertencem a ele, e caminharia sobre o fogo se fosse agradá-lo.

 Funcionar nessa dinâmica requer confiança. Confiança em que ele é meu Dominante mesmo quando não é óbvio. Confiança que ele irá me guiar, me mostrar o caminho. Ele precisa que saber que sempre estou fazendo meu melhor por ele. Ele tem que confiar que estou completamente comprometida com nossa dinâmica. Precisa saber que irei a ele com meus problemas e minhas lutas, e não irei “atuar” para fazer com que ele reaja. Preciso confiar que ele cuidará das minhas necessidades como submissa, fazer com que me sinta pertencida, querida e protegida de uma maneira que faça sentido pra nós.

 Esse tipo de dinâmica definitivamente não é para todos, e provavelmente nem mesmo para a maioria das dinâmicas. Mas como tenho visto nos últimos anos, é perfeitamente possível ter uma dinâmica D/s maravilhosa e gratificante sem punições e protocolos, e tentar trabalhar essas coisas em lugares em que não combinam pode definitivamente prejudicar uma dinâmica saudável. Nossa maneira não é a única nem o melhor caminho, mas é o nosso jeito, é funciona pra nós.

📂 Você está em
📋 Neste artigo
  • Gerando índice…
🏷️ Termos
BDSM BRASIL BLOG

Conhecimento critico para praticas conscientes. Escrito por Lino Naderer e afins.

NOVIDADES
ARTIGOS RECENTES

Descubra mais sobre BDSM BRASIL BLOG

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo