Por Dunter
Edição: S. Leclerc
ISBN: 978-2-9816945-0-8
Data de publicação: 01-09-2017
Revisão 3

CAPÍTULO 1
Aviso Legal
O objetivo deste manual é fornecer informações — não encorajar ou desencorajar as pessoas a praticarem breathplay.
Não assumo qualquer responsabilidade por práticas inspiradas neste manual.
Este não é um guia de treinamento, nem um manual de referência ou compêndio.
Qualquer uma das práticas mencionadas pode levar a lesões graves ou até à morte.
Acredito sinceramente que você encontrará este livro informativo quanto a algumas das práticas mais mortais do BDSM, e que isso pode ajudar você — ou sua comunidade — a reconhecer os perigos envolvidos nessas atividades.
Palavra do Autor: Quem sou eu e por que escrevi este livro
Antes de mais nada: não sou médico, não sou faixa-preta em artes marciais e não sou, de forma alguma, um profissional em breathplay.
Não tome nenhum conhecimento aqui como verdade absoluta — faça também sua própria pesquisa.
Sou alguém que perdeu muitos amigos devido a atividades relacionadas à asfixia erótica. Quero compartilhar meu conhecimento com o objetivo de salvar vidas.
Fiz muita pesquisa antes de dar aulas sobre breathplay, justamente para conscientizar sobre os perigos envolvidos nessa prática.
Também sou alguém que pratica BDSM há muito tempo. Vi muitas coisas enquanto viajava, participando de convenções no Canadá e nos Estados Unidos.
Aprendi com muitas pessoas e participei de diversas aulas sobre temas relacionados a esse universo.
Como ex-militar e entusiasta das artes marciais, aprendi coisas que não são muito comuns, e por isso acredito que valem a pena ser compartilhadas.
Acredito sinceramente que compartilhar meu conhecimento é melhor do que simplesmente dizer: “Não faça isso”.
É melhor entender como e por que algo é perigoso, para que possamos explicar como mitigar os riscos da melhor forma possível.
Introdução
O que as pessoas buscam ao fazer isso? Por que praticam?
Breathplay, ou asfixia erótica, é uma prática conhecida há muito tempo na comunidade fetichista (kink), mas também ocorre fora do meio fetichista — tanto entre jovens quanto entre adultos.
As pessoas se envolvem com asfixia erótica por motivos diversos:
- Algumas estão brincando com o medo,
- Outras buscam efeitos psicológicos mais profundos,
- Há ainda quem esteja focado nas sensações físicas.
Por exemplo: apenas uma mão no pescoço pode causar muitas sensações para alguns. Já para outros, o que atrai é a sensação de desmaiar.

Algumas pessoas procuram o efeito da hipóxia (falta de oxigênio).
Há quem busque tanto o desmaio quanto os efeitos posteriores — como a confusão mental ao acordar.
Assim, seja por sensações físicas intensas ou por jogos mentais, as pessoas fazem isso para satisfazer diferentes desejos e necessidades.
Qual é o perigo? Existe uma forma segura?
A primeira coisa a entender é que breathplay é perigoso e não pode ser considerado seguro de forma alguma.
Mesmo que você saiba o que está fazendo, acidentes podem acontecer.
Os corpos reagem de maneiras diferentes e podem ser danificados com o tempo devido à prática intensa dessas atividades.
Os acidentes podem ocorrer tanto por aplicação direta quanto indireta das técnicas.
O corpo também pode ser prejudicado pelo uso cumulativo.
Uma das sensações que muitas pessoas procuram durante essas práticas é a hipóxia — a redução do oxigênio no corpo.
O ar que respiramos é uma mistura de gases, sendo o oxigênio o mais importante. A concentração normal de oxigênio no ar é de cerca de 20%.
Quando essa concentração cai para 10–15%, ocorre um efeito semelhante à embriaguez. O julgamento é prejudicado — e é importante saber disso.
Assim, quando a pessoa começa a sentir esse efeito, sua capacidade de julgamento já está comprometida.
Ou seja, se ela acha que pode aguentar mais, na maioria das vezes, não pode.
Além disso, a pessoa começa a apresentar problemas de coordenação motora.
Muitos dos casos em que alguém morreu durante essa prática aconteceram quando a pessoa estava sozinha.
Com o julgamento e a coordenação comprometidos, é um acidente prestes a acontecer.
PRIMEIRA REGRA: NUNCA FAÇA ISSO SOZINHO.
Quando a concentração de oxigênio no ar fica abaixo de 10%, podemos experimentar perda de consciência;
abaixo de 8%, isso equivale à morte.
Por favor, tenha isso em mente, especialmente para quem pratica técnicas como uso de sacos plásticos (bagging) e rebreathers.
O “desmaio” pode ser provocado por diversos métodos:
- Uma mudança na pressão arterial pode desencadear esse efeito.
- A falta de oxigênio pode fazer o corpo reagir tentando se salvar, desligando funções não vitais.
Algumas pessoas gostam mais do “efeito de retorno” — a confusão mental após voltar da inconsciência.
A sensação de desmaiar de forma controlada pode ser muito intensa:
visão em túnel, perda de todos os sentidos, e então perda do controle muscular.
Essa é a definição de edge-play: você está brincando com a vida de alguém.
De acordo com a lei no Canadá, não é possível dar consentimento para ser ferido.
Portanto, se alguém morrer durante essas práticas, mesmo tendo dado consentimento, isso será considerado homicídio culposo (manslaughter).
Se você tem filhos ou entes queridos, leve-os em consideração ao decidir se envolver nessas práticas — seja aplicando ou recebendo.
Além disso, a maioria dos eventos fetichistas, como Dungeons (calabouços BDSM), não permite edge-play devido ao perigo envolvido.
Consulte as regras locais para saber se edge-play e breathplay são permitidos no local.
Captulo II
Anatomia
A laringe — nossos tubos de ar — é feita de cartilagem, que pode ser danificada pela pressão.

Um objeto estranho na boca pode ativar o reflexo de vômito, o que pode levar a uma tosse leve ou até mesmo ao vômito e outras sensações nada agradáveis.
A maçã de Adão também é uma área onde não se deve aplicar pressão — a dor provocada ali não é do tipo “prazerosa”.
Dos dois lados dos tubos de ar, temos a principal artéria, a carótida, que leva sangue ao cérebro.
Nessas artérias carótidas, existe um seio (o seio carotídeo) — uma bifurcação onde se encontra um barorreceptor, responsável por controlar a pressão do coração.
Esse ponto é delicado: quando comprimido, o corpo interpreta que a pressão está alta e envia um sinal para o coração diminuir o ritmo.
Pressão contínua nessa região pode levar à parada cardíaca.
Na parte traseira do pescoço, ao longo da coluna, temos algumas artérias secundárias. Elas são responsáveis por cerca de 30% do fluxo sanguíneo para o cérebro.
Compreender como os pulmões funcionam e como uma pressão na região abdominal pode dificultar a respiração é algo essencial de se aprender.
Atenção com modificações corporais, como implantes, piercings superficiais e piercings dérmicos — todos podem gerar complicações nesse tipo de prática.
O corpo possui dois sistemas nervosos que regulam seu funcionamento: o simpático e o parassimpático.
Quando consciente, você consegue controlar certas funções — por exemplo, a respiração.
Mas, ao desmaiar, o sistema nervoso entra em ação através de outro mecanismo, que utiliza informações mecânicas para continuar funcionando.
Exemplo: debaixo d’água, você consegue segurar o fôlego;
mas, se você desmaiar, o sistema nervoso tentará fazer você respirar, mesmo na água.
Cada corpo é diferente, e diferenças individuais podem representar até 15% de variação — desde o formato da orelha até uma inversão completa dos órgãos internos.
Só porque você sabe onde está algo em uma pessoa, isso não garante que esses mesmos pontos estarão no mesmo lugar em outra.
Sempre adquira as ferramentas adequadas para sua prática:
tesouras de segurança e o equipamento necessário para resolver qualquer problema que possa surgir a partir das suas ações.

Hyoid bone – Osso hioide
🔹 Thyrohyoid membrane – Membrana tireo-hioidea
🔹 Lateral thyrohyoid ligament – Ligamento tireo-hioideo lateral
🔹 Internal laryngeal nerve – Nervo laríngeo interno
🔹 Cartilage triticea – Cartilagem tritícea
🔹 Superior laryngeal artery – Artéria laríngea superior
🔹 Superior cornu – Corno superior
🔹 Thyroid notch – Incisura tireoidea (entalhe da cartilagem tireoide)
🔹 Thyroid cartilage – Cartilagem tireoide
🔹 Oblique line – Linha oblíqua
🔹 Conus elasticus (lateral parts) – Cone elástico (partes laterais)
🔹 Middle cricothyroid ligament – Ligamento cricotireoideo mediano
🔹 Inferior cornu – Corno inferior
🔹 Cricoid cartilage – Cartilagem cricoide
🔹 Trachea – Traqueia
Um celular carregado é uma boa coisa para ter por perto,
para conseguir assistência médica rapidamente, se necessário.
Tenha um kit de primeiros socorros — e bom senso.
É importante saber quais efeitos associados ao breathplay podem ser vistos como sinais para parar ou fazer uma pausa.
- Dores de cabeça podem ser um sinal claro de que é hora de parar.
- A petéquia é o efeito mais conhecido do breathplay, caracterizado por pontos de sangue na parte branca dos olhos.
A petéquia também pode aparecer na pele, indicando que vasos sanguíneos estouraram.
Se houver perda de memória ou qualquer outro efeito que fuja do comportamento habitual da pessoa,
interrompa imediatamente a prática e procure um profissional de saúde.
Captulo IV
Breathplay: Controle de Ar
Ciclo de Controle da Respiração:
A maioria dos atiradores de elite aprende sobre o ciclo da respiração e como controlá-lo para melhorar a precisão.
Quando alguém inspira, pode prender o ar por um tempo. Depois, irá liberar o ar. Se você impedir que essa pessoa inspire novamente — por exemplo, sufocando-a — então o pânico e o medo tomarão conta.
Também é importante entender que esses ciclos respiratórios aceleram quando o batimento cardíaco aumenta devido ao estresse ou medo.
Usar esse conhecimento é fundamental no breathplay.
Lembre-se: a pessoa precisa respirar, mas você também deve saber quando bloquear ou não essa ação.
Nunca bloqueie a expiração com força — veja a Manobra de Valsalva.
Tente brincar com o aspecto psicológico, e não diretamente com a sensação de hipóxia ou hiperventilação.
Técnicas
– Manobra de Valsalva:
Técnica conhecida por mergulhadores ou pessoas que viajam de avião.
O objetivo é equilibrar a pressão nos ouvidos, assoprando com o nariz tampado e a boca fechada.
Quando levada ao extremo, essa técnica pode ter efeitos negativos.
Portanto, nunca bloqueie a expiração de ar de alguém.
– Reflexo de vômito (gag reflex):
Esse reflexo é ativado quando um objeto estranho — que representa risco à respiração — é detectado pelo corpo.
O reflexo pode provocar tosse, vômito e outras reações, até que a obstrução seja eliminada.
Isso é importante de entender quando se usa itens inseríveis na boca, como mordedores (ball gags) ou brinquedos similares.
Alguns ball gags têm furos que permitem a saída de saliva; outros não têm.
– Polegar versus língua:
Um praticante de swing que gosta de breathplay durante o sexo me ensinou essa técnica.
Ela não deve deixar marcas.

Você posiciona as duas mãos como se fosse estrangular alguém, com os dedos de cada lado do pescoço.
Depois, levanta os polegares e os coloca onde está a língua: sob o queixo, cerca de 2,5 cm abaixo dele.
Então, empurre para cima, nessa direção, em direção à garganta.
Isso tornará a respiração mais difícil, mas não impossível.
Nenhuma pressão deve ser feita no pescoço ou na traqueia.
– Face sitting (sentar no rosto):
Pode ser extremamente perigoso, pois você não vê o rosto da pessoa.
É necessário usar outras formas de verificar o estado de consciência do parceiro.
A obstrução pode ser feita pela frente (sufocamento com a genitália) ou com as nádegas.
Pode ser praticado com ou sem roupa, e materiais como látex podem adicionar um elemento de prazer à brincadeira.
O peso da pessoa que está sentando também deve ser levado em consideração.
– Sopro no nariz (Nose Blowing):
Sempre vi essa prática como uma forma de punição.
Assoprar no nariz de alguém, como numa respiração boca-a-boca canina, pode causar sensações nada prazerosas para certas pessoas.
Tenha cuidado para não aplicar pressão excessiva no sopro.
– Touca de banho:
Colocar uma camada de látex sobre o rosto da pessoa para impedi-la de respirar.
Recomendo deixar a pessoa inspirar profundamente antes de aplicar o látex sobre o rosto.
Isso pode ser muito eficaz em jogos de medo (fear play).
A maioria das toucas é bastante opaca, o que também bloqueia a visão.
A expiração é menos problemática, já que o ar pode sair pelos lados da touca.
Essa prática dura apenas alguns segundos por vez — colocar e tirar.
– Sufocamento com a mão (Smothering):
Cobrir a boca com a mão e deixar a pessoa respirar pelo nariz pode ser uma brincadeira leve.
No entanto, durante o sexo, a necessidade de respirar aumenta e a quantidade de ar que entra é pequena.
Esse tipo de jogo gera um efeito de privação de oxigênio.
Você também pode sentir a respiração nos dedos, que ficam logo abaixo do nariz.
Se bloquear também o nariz, certifique-se de não impedir a expiração.
É possível brincar interrompendo por alguns segundos o ciclo de inspiração e expiração.
Algumas pessoas que gostam de couro ou látex preferem o sufocamento usando luvas.
– Asfixia posicional (Positional asphyxia):
Foi usada no passado para tortura e execução, portanto é algo extremamente perigoso.
Um exemplo de amarração com cordas que pode levar a isso é o ebi-tie, onde a compressão do abdômen pode dificultar a respiração.
A suspensão total do corpo pelos pulsos também causa dificuldade respiratória que aumenta com o tempo.
A crucificação levava à morte por asfixia posicional: o corpo era sustentado pelas mãos amarradas na cruz, e a pressão da gravidade dificultava cada vez mais a respiração.
Outra posição conhecida que pode causar esse efeito é a hogtie, onde a pessoa está de bruços, amarrada, com o próprio peso jogando contra ela, dificultando a respiração.
– Compressão:
O breathplay por compressão pode ser feito de várias formas.
Sentar ou pressionar o joelho sobre o abdômen de alguém pode dificultar a respiração.
Algumas amarrações que comprimem a caixa torácica têm o mesmo efeito, mas demoram mais para serem feitas e desfeitas.
Para algumas pessoas, um espartilho também pode restringir a respiração.
É essencial lembrar o momento de desfazer a compressão.
Em certos “jogos de desmaio”, crianças hiperventilam antes de comprimir o peito contra a parede, e quando soltam, a mudança brusca de pressão faz com que desmaiem — o que é muito perigoso devido à queda que pode ocorrer.
– Compressão abdominal com pernas ou “tesoura de pernas”:
A compressão da barriga dificulta a respiração.
Em algumas culturas antigas, colocavam pedras sobre o abdômen como forma de tortura, o que levava à morte.
Essa prática pode ser tão perigosa quanto qualquer outra, mas é rápida de desfazer.
Tome cuidado para não aplicar pressão demais nas costelas ou na bexiga.
O ideal é focar no centro do abdômen.
– Máscara de gás:
Como ex-militar, sei que máscaras de gás podem fazer parte do breathplay, dificultando a respiração por causa do filtro.
É possível acoplar uma mangueira para explorar variações.
Bloquear a entrada de ar é fácil.
Dá para ver a máscara se aproximando do rosto por causa do vácuo.
Algumas pessoas usam a mangueira para jogos com odores ou para aproveitar o efeito de sucção, como forma de estímulo sensorial.
As máscaras limitam a visibilidade do rosto da pessoa que as usa — então seja atento e encontre formas de monitorar a consciência.
– Rebreather:
São sacos que acompanham algumas máscaras de gás.
Permitem a reciclagem do ar, o que reduz progressivamente a concentração de oxigênio.
Isso gera o “barato” causado pela hipóxia, mas são extremamente perigosos.
Alguns rebreathers fazem parte de roupas de látex, o que prejudica a visibilidade do rosto.
– Fita adesiva:
Muito popular em práticas, fotos e vídeos de smothering.
É preciso cuidado com efeitos indiretos, como reações à cola.
Além disso, algumas fitas são difíceis de remover.
Recomendo a fita ‘3M Microfoam’ — uma fita de espuma usada na área médica, macia para os lábios, fácil de remover e com cola menos tóxica que a fita comum (duct tape).
Também é possível usar fitas não adesivas, que aderem a si mesmas;
porém, mesmo com essas, tenha sempre uma tesoura de segurança por perto.
– Filme plástico (Saran wrap):
Pode ser enrolado ao redor da cabeça da pessoa.
Recomendo aplicar do nariz para cima, para que a pessoa ainda possa respirar pela boca.
Você pode usar fita adesiva para fazer uma venda sobre o filme plástico.
Se quiser ter controle total sobre a respiração, pode cortar um pequeno quadrado, que pode ser colocado e retirado à vontade.
Para remover o envoltório da cabeça, pode-se cortá-lo ou puxá-lo para cima.
Se for cortar, recomendo fazer isso na lateral da cabeça — cuidado com os cabelos.
– Envelopamento com saco rígido (bagging com saco duro):
Colocar um saco plástico sobre a cabeça pode ser uma experiência muito intensa.
Os sacos rígidos são como sacos zip lock gigantes.
Você pode encher com ar para que pareça maior.
Para prender na cabeça, use fita adesiva na base ou fita que adere a si mesma, sem cola.
Assim como nos rebreathers, o fluxo de ar limitado faz com que a concentração de oxigênio diminua dentro do saco.
O uso de sacos rígidos permite cortar um buraco em um canto superior, para deixar entrar ar ou sugar o ar para fora.
Esse mesmo orifício também pode ser usado para soprar fumaça de charuto ou encher o saco com água, o que pode ser muito assustador.
Se surgir um problema, o saco pode ser facilmente aberto.
Fique atento à condensação interna, que pode prejudicar a visibilidade da pessoa.
– Envelopamento com saco mole (soft bag):
O melhor tipo de saco que encontrei foi o usado em hotéis para lixeiras pequenas — são os mais resistentes.
Coloque sobre a cabeça e pressione contra o rosto para causar um efeito assustador.
Você pode encher um pouco antes de colocar e então fechar a base no pescoço, impedindo a entrada e saída de ar.
A sensação de ver o saco se aproximando do rosto é ainda mais intensa.
Rebreathing é perigoso — pratique com cautela.
– Mordedor (Gag):
Mordedores são comuns em sex-shops.
Alguns são básicos, como os ball gags; outros têm formato fálico.
A maioria não tem furos para o escoamento de saliva.
Alguns possuem grandes aberturas, permitindo respirar.
O ponto mais importante é observar o reflexo de vômito (gag reflex).
Você sempre deve ser capaz de monitorar qualquer problema que surgir com esses dispositivos.
– Beijo da morte (Kiss of death):
Provavelmente a forma mais romântica de se praticar breathplay.
Ao juntar os lábios, você veda a boca da outra pessoa com a sua.
Pode ser um beijo com ou sem língua.
Com uma das mãos, você bloqueia o nariz da pessoa.
Agora você controla totalmente o fluxo de ar:
- Pode respirar pelo seu nariz e compartilhar parte do ar com a outra pessoa
- Ou “roubar” o ar que ela tem
Nesta posição, você não quer que a pessoa entre em pânico, então é algo que se faz por pouco tempo — é uma forma de jogo sensorial.
– Hiperventilação:
A hiperventilação pode levar ao desmaio.
Alguns “jogos de estrangulamento” em escolas envolvem hiperventilar em posição fetal, e depois levantar-se rapidamente —
isso é muito perigoso por causa do risco de queda após o desmaio.
– Clipes nas narinas (nose plugs):
Semelhantes aos usados para natação, servem para bloquear o uso do nariz.
Transformam-se em breathplay quando a boca também está obstruída, como em um beijo ou sexo oral.
– Faixa de látex:
Varia em tamanho.
O Top usa uma tira de látex para bloquear a respiração por um momento.
O látex se molda ao rosto e veda a área onde for aplicado.
Captulo V
Breathplay: Sangue
O breathplay com sangue refere-se à estrangulação com o objetivo de alterar a pressão do sangue que chega ao cérebro.
Essa variação na pressão faz com que a maioria das pessoas desmaie.
Quando a pessoa desmaia, você deve soltar imediatamente. Ela deve voltar assim que a pressão for liberada.
Seja com sangue ou ar, ambas as práticas são igualmente perigosas.
A maioria dessas técnicas é chamada de compressão bilateral das carótidas.
Técnicas
– Beliscão da morte (Pinch of death):
Pressão simples com dedo e polegar em cada carótida.
A outra mão gira o pescoço e levanta a cabeça puxando pelo cabelo, bloqueando assim a pressão vinda das artérias secundárias.
Lembre-se: uma pessoa inconsciente não tem controle muscular — ela cai.
É sua responsabilidade evitar lesões, então proteja a pessoa a todo custo.
– Pescoço com corda (Rope neck):
Assunto muito controverso.
Pode ser tão simples quanto uma corda passada pela frente do pescoço, como em certas amarrações do Hojo-jutsu.
Pode ser um tipo de coleira com laço fixo ou um laço simples ao redor do pescoço.
Pode ter fins decorativos ou sensoriais.
Atenção com marcas deixadas no pescoço, que podem ser vistas por outras pessoas e causar mal-entendidos.
A pressão aplicada sobre as carótidas pode causar sensações fortes ou levar ao desmaio.
Também é necessário cuidado com a traqueia.
Mesmo a pressão em apenas um lado do pescoço pode causar desmaio.
Nunca prenda um laço a um ponto fixo no pescoço.
– Estrangulamento falso (Fake choke):
Algumas pessoas gostam de sentir a mão no pescoço, pelo aspecto de paixão, sem buscar sensações reais.
Coloque a palma da mão sobre o vão entre as clavículas, com os dedos e polegar em cada lado — é uma posição baixa no pescoço.
É possível aplicar pressão leve sem efeitos reais.
Funciona melhor se for contra algum apoio — por exemplo, na cama, é mais seguro para a cabeça, que pode bater em algo.
– Estrangulamento com corda ou cachecol:
Boa maneira de minimizar a pressão direta sobre o barorreceptor e oferecer uma sensação mais uniforme.
Coloque o meio do cachecol na frente do pescoço, passando as pontas por trás, distribuindo a pressão de forma uniforme.
Durante o sexo, a própria pessoa pode segurar e controlar a pressão.
O parceiro pode observar e garantir que ela não exagere.
– Cinto:
Pode ser usado como ferramenta de estrangulamento.
O problema principal está em fechos que travam ou no beliscão da pele.
Recomendo posicionar a parte superior da dobra na direção da força de tração, assim ainda há um pequeno espaço.
Tanto por trás quanto pela frente, isso pode ser visto como muito excitante, mas também como perigoso.
Brinque com o ato de segurar, não de apertar o pescoço.
– Estrangulamento “mata-leão” (Rear naked choke):
Técnica emprestada das artes marciais, aplica pressão bilateral nas carótidas com bíceps e antebraço.
É muito eficaz e pode fazer alguém desmaiar em menos de 15 segundos.
Alguns a chamam de “segura-do-sono”.
Recomenda-se fazer aulas com um profissional.
Mesmo que não existam registros de acidentes em jiu-jitsu ou judô, isso não significa que é 100% seguro.
Segure bem a pessoa: quem desmaia perde o controle muscular.
Se após 10 segundos a técnica não funcionar, solte.
Talvez a técnica esteja mal aplicada, ou a anatomia da pessoa seja diferente: carótidas mais profundas ou artérias secundárias mais desenvolvidas.
Conheci 3 pessoas entre mil que não desmaiam, então não force além do necessário.
– Triângulo com as pernas (Leg triangle choke):
Usa o grupo muscular mais forte do corpo, sendo muito perigosa.
Mesmo praticantes experientes podem aplicar pressão demais.
É considerada por alguns como uma atividade muito erótica, pois a cabeça fica próxima aos genitais da outra pessoa.
Algumas técnicas chamam isso de estrangulamento em triângulo.
Busque instrução profissional antes de tentar.
– Enforcamento recreativo:
Atividade que imita a punição letal conhecida.
Costuma usar laços fixos com polia.
Do século XVII até hoje, esse tipo de prática foi documentado em lugares como França e China (monges).
Não recomendo essa atividade de forma alguma: o pescoço não foi feito para esse tipo de estresse e isso representa uma ameaça grave aos órgãos vitais.
– Afogamento simulado, toalha molhada, waterboarding:
A água foi usada por séculos como método de tortura — e funciona: lembre-se de quantas “bruxas” foram encontradas assim.
Se for brincar com essas técnicas mais avançadas, recomendo fazer um curso específico.
Respirar através de uma toalha molhada é muito difícil.
No caso de waterboarding, recomendo usar água bem fria — o efeito vem mais rapidamente por causa do choque térmico.
O objetivo aqui é mexer com a mente, simulando um afogamento psicológico, sem matar a pessoa.
Capitulo VI
Parte final
Seção “Não faça”:
- Chave de braço (Arm bar):
A chave de braço foi uma técnica utilizada por forças policiais por muito tempo,
mas, devido a várias mortes, passaram a adotar o uso do “mata-leão”.
A chave de braço comprime a traqueia usando os antebraços, o que pode causar danos aos tubos respiratórios —
e não ajuda em nada a acalmar a pessoa.
- Pressão excessiva:
Aplicar pressão demais, com qualquer técnica, levará a lesões —
e você não quer isso.
- Enforcamento com ponto fixo:
Nunca prenda um laço ou nó em nada acima da cabeça que possa levar a enforcamento.
Jamais prenda o pescoço a algo que possa se mover ou cair.
- Outros:
Nunca pratique qualquer uma dessas atividades sozinho.
Nunca misture essas práticas com drogas, álcool, fadiga ou estados emocionais negativos intensos.
Lembre-se:
mesmo que você saiba o que está fazendo, isso não significa que a prática seja segura.
Conhecimento não elimina o risco.
Casos de morte
Todos os anos, muitas pessoas morrem por causa dessas práticas.
Mas ainda há pouca educação disponível para ajudar as pessoas a mitigar os riscos do edge play e do breathplay.
Por isso, me esforço em dar um passo à frente.
- Asfixia autoerótica:
O ator principal de “Kill Bill”, David Carradine, foi encontrado morto
em circunstâncias que indicam asfixia autoerótica.
Esse tipo de morte é muito comum e, infelizmente, costuma ocorrer quando a pessoa pratica sozinha e acaba tomando decisões erradas.
- Obstrução – Caso em St-Julie:
Um paramédico, que praticava bondage intenso com mordedor (ball gag) com sua esposa,
não percebeu que ela havia vomitado durante o sexo e morreu engasgada com o próprio vômito.
O caso foi considerado acidente, pois não havia intenção de praticar breathplay.
- Sozinha – St-Bruno:
Um bombeiro, durante uma sessão intensa com sua parceira,
a deixou sozinha em uma posição de restrição.
Ela estava de pé, imobilizada, usando uma coleira metálica solta ao redor do pescoço.
A mulher sofreu síndrome oestática e desmaiou.
Com o corpo desabando, a pressão da coleira no pescoço causou sua morte.
- Vacbed – Toronto:
Um amigo meu estava usando um vacbed, com uma pequena abertura para a cabeça.
A coleira de látex pressionou os barorreceptores, fazendo sua pressão arterial cair lentamente até que ele perdeu a consciência.
Mesmo inconsciente, a pressão continuou enviando sinais para o coração desacelerar — até que ele parou.
Nunca faça isso sozinho. Nunca aplique pressão contínua nessa área.
- Predicament – Itália:
Muito conhecido na comunidade de cordas (rope).
O rigger amarrou duas garotas alcoolizadas pelo pescoço, uma à outra.
A condição era: para não se estrangularem, ambas precisavam se manter na ponta dos pés.
Mas uma desabou — e estrangulou a outra.
As duas desmaiaram e se sufocaram mutuamente até a morte.
O rigger, também alcoolizado, deixou sua tesoura de segurança no carro.
Demorou demais para cortar as cordas, infelizmente.
- Saco da morte:
Em muitos países, o “exit bag” é utilizado com gases neutros, como hélio, com o propósito de morte assistida.
Faz a pessoa desmaiar silenciosamente, e o re-respiração dentro do saco completa o processo.
Esse método, às vezes, é usado em suicídios legalizados.
Apêndice
Glossário:
- Asfixia erótica: Restrição intencional de oxigênio ao cérebro com fins de excitação sexual.
- Asfixia autoerótica: Efeito autoinduzido de asfixia erótica.
- Desmaio, síncope (também conhecido como perda de consciência): Definido como uma perda breve de consciência.
- BDSM: Sigla para Bondage, Disciplina, Dominação e Submissão, Sadomasoquismo.
- Palavra de segurança (safe word): Palavra-código usada para comunicar de forma clara que a atividade deve parar imediatamente.
- Edge-play: Atividade que coloca em risco a vida ou saúde da pessoa que a recebe.
- Ball gag (mordedor): Brinquedo sexual fetichista, consiste em um objeto inserido na boca com tiras de tecido ou corda para mantê-lo no lugar.
- Vacbed (cama a vácuo): Envoltório estendido em uma armação, com uma bomba de sucção ou aspirador que remove a maior parte do ar do interior. Dispositivo de restrição.
- Top: Pessoa que administra a prática.
- Bottom: Pessoa que recebe a prática.
- Hipóxia: Condição em que o corpo ou uma parte dele fica privada de oxigênio suficiente.
- Pomo de Adão: Estrutura que forma uma saliência sob a pele. Geralmente mais pronunciado em homens adultos.
Este livro foi inspirado por:
TSURUMI, Wataro. The Complete Manual of Suicide, Japão, 1993.
ISBN: 978-4-87233-153-0
Referências:
- KOIWAI, E. Karl. “Deaths allegedly caused by the use of ‘choke hold’ (Shime-Waza)”, Judo Info, publicação online sem data (original de 1987).
http://judoinfo.com/chokes6/ - KNIGHT, Bernard & PEKKA Saukko. Knight’s Forensic Pathology, Terceira Edição, CRC Press, Estados Unidos, 2015.
ISBN-10: 0340760443 - LYLE, Douglas P. Forensics For Dummies, For Dummies, Estados Unidos, 2016.
ISBN-10: 0764555804 / ISBN-13: 978-0764555800 - http://bayeux.datensalat.net/howto/atem/index.html
- Imagens extraídas de: Gray’s Anatomy, edição de 1918.
Este livro é dedicado a todas as pessoas que tocaram meu coração e partiram cedo demais.
Este livro é o resultado do trabalho de muitos amigos.
