A Origem da Educação BDSM no Brasil — Parte 3: Internet, nomenclatura e a chegada do BDSM (1995–2001)

Como o Brasil migrou dos classificados para o mIRC, adotou o acrônimo BDSM e recebeu o SSC sem as batalhas políticas que acompanharam esse processo nos EUA.

HISTÓRIA DO KINK · BDSM Brasil

A Origem da Educação BDSM no Brasil

Parte 3 — Internet, nomenclatura e a chegada do BDSM (1995–2001)

Por BDSM Brasil · 2026

Série: A Origem da Educação BDSM no Brasil. Parte 1 (1960–85) · Parte 2 (1986–95). Esta Parte 3 cobre a virada digital: o fim dos classificados, a chegada do mIRC e o que mudou quando o Brasil adotou o acrônimo BDSM.

No começo dos anos 1990, a crise econômica e a AIDS desfizeram a rede informal que ligava praticantes de sadomasoquismo no Brasil. As revistas eróticas que hospedavam classificados SM escassearam. A cena ficou, de certa forma, muda.


A internet substitui a caixa postal (1995–1999)

Facchini e Machado (Pagu/Unicamp) documentam: “boa parte dos praticantes mais velhos fez esse tipo de migração dos classificados para a internet.” Os primeiros espaços foram os canais de mIRC, depois as salas de bate-papo no Terra e UOL. O ciclo de um contato caiu de meses para horas.

Nos canais anglofônos do mIRC, o vocabulário não era “sadomasoquismo erótico”. Era BDSM, top, bottom, safeword, SSC. Para participar dessas conversas, os brasileiros precisavam aprender esse glossário.

De “SME” para “BDSM”: mudança de paradigma

Quando “BDSM” chegou pela internet, trouxe história da comunidade leather norte-americana, os debates de direitos sexuais dos anos 1970, Gayle Rubin, Pat Califia e o SSC. O SSC havia sido formulado nos EUA em contexto de batalhas legais e perseguição policial a clubes. No Brasil — como observam Facchini e Machado — o BDSM nunca entrou na agenda de direitos sexuais. O SSC chegou sem o campo de batalha que lhe dera origem, funcionando mais como ferramenta pedagógica do que política.

O Desejo Secreto começa no mIRC (1999–2001)

O Desejo Secreto nasceu de pessoas que se conheceram nos canais do mIRC e foi ao ar em fevereiro de 2001 com missão clara: “tornar o assunto BDSM acessível e compreendido no Brasil.” A Parte 4 desta série examina esse projeto em detalhe.


O que essa fase nos diz

O período 1995–2001 é quando a educação BDSM brasileira se internacionaliza — ganhando ferramentas pedagógicas que não tinha, mas perdendo gradualmente a genealogia local. O vocabulário anglofôno substitui o “SME” de Wilma. A língua muda; a comunidade também.

Fontes

  1. FACCHINI, Regina; MACHADO, Sarah Rossetti. Do Sadomasoquismo Erótico ao BDSM. Cadernos Pagu, Unicamp.
  2. MATTOSO, Glauco. Manual do Podólatra Amador. São Paulo, 2006.
  3. Site Desejo Secreto. Compilação histórica, 2019–2020.
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Conhecimento critico para praticas conscientes. Escrito por Lino Naderer e afins.

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