Dinâmicas · Novos no BDSM · Parte 12
Começando uma relação D/s — Parte 1
O que é, como se parece na prática, como se desenvolve e o que precisa funcionar
Por BDSM Brasil · Adaptado do Submissive Guide
Não existe um modelo único de relação D/s
Uma relação D/s (Dominância e Submissão) não tem um único formato correto. Pode ser discreta ou muito presente no dia a dia, pode envolver apenas momentos de jogo ou estruturar toda a vida do casal. O que define uma dinâmica D/s não é o formato externo, mas a essência: alguém está no controle, alguém se entrega a esse controle, e ambos consentiram e escolheram isso.
Antes de construir uma dinâmica, você precisa saber o que quer dela. Uma submissa que quer apenas explorar o lado D/s no quarto não é compatível com um Dominante que busca uma relação 24/7. Ter clareza sobre o que você precisa é o primeiro passo para encontrar compatibilidade real.
Como uma relação D/s parece na prática
Para quem está de fora, um casal em relação D/s pode parecer completamente ordinário. O que distingue a dinâmica raramente é visível para quem não faz parte. Um exemplo concreto da autora Luna Carruthers, que vive uma relação D/s há quase duas décadas:
“Há uma distinção clara de quem está no comando. Tudo que ele pede, eu cumpro, sem questionar. Uso um collar que parece um choker para qualquer pessoa de fora. Peço permissão antes de comprar qualquer coisa. Para quem nos conhece, é claramente uma relação de troca de poder. Para quem não conhece, parecemos apenas um casal respeitoso.” (Luna Carruthers, Submissive Guide)
Como uma relação D/s se desenvolve
Uma relação D/s começa como qualquer outra relação: atração, conversa, descoberta de interesses comuns, desenvolvimento de intimidade. O que a diferencia é que a compatibilidade kinky precisa ser verificada mais cedo do que a maioria das questões em relacionamentos convencionais, porque ela é estrutural.
O processo de desenvolvimento tem etapas reconhecíveis:
- Atração e primeiros contatos
- Descoberta de interesses comuns (incluindo compatibilidade kinky)
- Namoro: fase exploratória, sem compromisso fixo
- Comprometimento: decisão de exclusividade e aprofundamento da relação
- Collar: em muitas dinâmicas, o símbolo do compromisso, equivalente a um anel de noivado
O que uma relação D/s precisa para funcionar
Além da compatibilidade kinky, todos os elementos de qualquer bom relacionamento são necessários: valores alinhados sobre família, moradia, fidelidade. Algumas perguntas a conversar antes de comprometer:
- Quero a D/s só no quarto ou em outras áreas da vida também?
- O que submissão significa para mim? O que Dominância significa para meu parceiro?
- Somos monogâmicos ou poliamorosos? Se poly, que formato?
- Que tipo de BDSM queremos incluir, se for o caso?
Na próxima parte
A Parte 2 aborda a negociação em si: como conversar sobre expectativas, o que esperar do processo, os sinais de alerta durante a negociação, e como lidar com a pressão de “estar no papel” o tempo todo.
Leia também
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Fonte
- CARRUTHERS, Luna. “New to D/s Relationships? Here’s Your Foolproof Guide to Starting Out, Part 1”. Submissive Guide, 2017. Disponível em: submissiveguide.com. Acesso em: jun. 2026.