Começando uma relação D/s — Parte 2

Como negociar uma relação D/s, o que esperar de ambos os lados, red flags no processo de negociação, contratos e a pressão de “estar no papel” o tempo todo.

Sobre este texto: Adaptado de “New to D/s Relationships? Here’s Your Foolproof Guide to Starting Out, Part 2” de Luna Carruthers, Submissive Guide (2017, atualizado 2026). Tradução e adaptação por BDSM Brasil.

Negociar uma relação D/s começa com você mesma

Antes de sentar com um parceiro para negociar uma dinâmica, você precisa saber quem você é e o que você quer. Se você não consegue responder perguntas básicas sobre o que precisa de uma relação de poder, qualquer negociação será construída sobre areia.

Perguntas para se fazer antes de qualquer negociação:

  • Quanta D/s quero fora do quarto? E dentro?
  • Como seria o Dominante ideal para mim?
  • Quais são meus sonhos para o futuro (moradia, família, carreira)?
  • Que kinks quero explorar ou tenho curiosidade?
  • O que preciso de um parceiro para me sentir segura em submeter?

Negociação não é um evento: é um processo contínuo

Um erro clássico de iniciantes é tratar a negociação como uma conversa que acontece uma vez e fica resolvida para sempre. Não é assim que funciona. A negociação em D/s acontece em camadas ao longo do tempo. As primeiras conversas cobrem o panorama geral; com o tempo e o aumento de confiança, essas conversas se tornam mais específicas: protocolo, serviço, limites em evolução, necessidades emocionais.

Sinais de alerta durante a negociação

Atenção a estes comportamentos em um parceiro durante a negociação:
  • Tratar renegociação como fraqueza ou desobediência.
  • Fazer você se sentir tola por não saber algo.
  • Dispensar suas necessidades como “pouco submissivo”.
  • Apressar o compromisso antes que você se sinta pronta.
  • Exigir obediência imediata antes de qualquer conversa.
  • Enquadrar hesitação como falta de devotão.

Dominância saudável quer que sua submissão cresça de forma voluntária. Qualquer um que precise forçá-la no lugar não está praticando D/s: está praticando coerção.

Expectativas e controle: uma distinção importante

Expectativas são acordos que vocês discutiram, consentiram e entendem. Controle sem discussão é simplesmente controle, e não pertence a uma relação D/s saudável. Quando as expectativas estão alinhadas, comece pequeno e construa a partir daí.

Contratos em D/s

Contratos de BDSM são uma forma de formalizar simbolicamente as expectativas de uma dinâmica. Eles funcionam melhor quando refletem valores compartilhados: compromisso, cuidado, honestidade, fidelidade, obediência, serviço. O que não pertence a um contrato é o detalhe operacional de regras específicas: essas coisas mudam com o tempo e pertencem à negociação contínua. Se a relação é nova, estabeleça um prazo curto para o contrato e revise regularmente.

Você não precisa estar “no papel” o tempo todo

Você continua sendo filha, amiga, profissional, e um ser humano completo com necessidades que vão além da dinâmica. A submissão é uma extensão de quem você é, não uma substituição. Se você se sentir esgotada, desconectada, ou ressentida, esses são sinais para pausar e comunicar, não para ignorar e continuar.

Pausas são saudáveis. Elas frequentemente permitem que você retorne mais presente e entusiasmada do que antes. Uma relação que apoia genuinamente sua submissão vai encorajar o crescimento, não punir a necessidade de respirar.

Fechamento da Etapa 5

Com esta parte você termina o conteúdo sobre dinâmicas D/s para iniciantes. O último artigo da série traz recursos de leitura para continuar aprendendo além desta série.

Fonte

  1. CARRUTHERS, Luna. “New to D/s Relationships? Here’s Your Foolproof Guide to Starting Out, Part 2”. Submissive Guide, 2017 (atualizado 2026). Disponível em: submissiveguide.com. Acesso em: jun. 2026.
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Conhecimento critico para praticas conscientes. Escrito por Lino Naderer e afins.

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