Normal vs. diferente: o problema das normas sexuais
De onde vem “normal” em sexualidade
A noção de sexualidade “normal” tem uma genealogia específica. Antes do século XIX, comportamentos sexuais eram avaliados em termos morais e religiosos. A partir dos anos 1800, a medicina e a psiquiatria tomaram para si a tarefa de definir o que era saudável versus patológico.
Krafft-Ebing, com Psychopathia Sexualis (1886), foi um dos primeiros a catalogar sistematicamente “desvios” sexuais — incluindo sadismo e masoquismo, que ele batizou com esses nomes.
O que as pesquisas mostram sobre a frequência do kink
de adultos relataram interesse em práticas BDSM (Joyal et al., Canadá, 2016)
já experimentaram alguma prática BDSM ao menos uma vez
adultos australianos relataram experiência com BDSM (Richters et al., 2008)
Parafilia não é transtorno
O DSM-5 (2013) fez uma distinção crucial:
- Parafilia: qualquer interesse erótico intenso e persistente que não é tipicamente normativo. Não é patologia.
- Transtorno parafilico: quando a parafilia causa sofrimento clinicamente significativo ao indivíduo, ou envolve riscos para outros.
O normal como política
A norma sexual não é neutra. Ela tem história — e essa história inclui a classificação da homossexualidade como transtorno até 1973, a patologização da intersexualidade, a criminalização de sexo fora do casamento. A norma é sempre produção de um contexto histórico, cultural e de poder.
Referências
- Joyal, C.C. et al. “What Exactly Is an Unusual Sexual Fantasy?” Journal of Sexual Medicine, 2016.
- Richters, J. et al. Journal of Sexual Medicine, 2008.
- DSM-5. APA, 2013.
- Foucault, Michel. História da Sexualidade I. Graal, 1988.
- Krafft-Ebing, R. von. Psychopathia Sexualis. 1886.