O Momento Evelyn Hooker do Kink

Russell J. Stambaugh PhD DST CSSP — Elephant in the Hot Tub Publicado originalmente em: 28 de junho de 2017 | Ver original A História de Evelyn Hooker Desde seu início moderno, a psiquiatria considerava a homossexualidade como uma perversão sexual e psicopatologia. No início da década de 1950, a psicóloga Evelyn Hooker, da UCLA,…

Russell J. Stambaugh PhD DST CSSP — Elephant in the Hot Tub

Publicado originalmente em: 28 de junho de 2017 | Ver original

A História de Evelyn Hooker

Desde seu início moderno, a psiquiatria considerava a homossexualidade como uma perversão sexual e psicopatologia. No início da década de 1950, a psicóloga Evelyn Hooker, da UCLA, vivia ao lado de um escritor britânico expaétrio — Christopher Isherwood, cujas histórias de Berlim se tornaram a base do musical da Broadway Cabaret. Isherwood desafiou Hooker a usar suas habilidades para conduzir o que se tornaria um dos estudos mais famosos da história do diagnóstico.

Hooker arranjou testar a afirmação de que a homossexualidade seria diagnosticavel por testes psicológicos. Ela escolheu uma autoridade líder em cada um dos três melhores testes projetivos para avaliar os protocolos dos sujeitos — cegamente, sem saber se eram homossexuais ou heterossexuais. Quando os resultados chegaram, os três especialistas concordaram que não conseguiam classificar os protocolos efetivamente. Contrário às opiniões da profissão clínica, seus melhores especialistas não conseguiam detectar diferenças de psicopatologia nem classificar corretamente os heterossexuais dos homossexuais. Em 1961, Evelyn Hooker recebeu um prêmio de conquista ao longo da vida da American Psychological Association por esse trabalho. O estudo de Hooker foi o golpe fatal para a ideia de que os homossexuais sofriam de psicopatologia que os impedia de ser heterossexuais saudáveis.

O Pesquisador Christian Joyal e as Fantasias Sexuais

Christian Joyal, pesquisador de sexo de Quebec, publicou em 2014 no Journal of Sexual Medicine um estudo que explodiu completamente a ideia de que fantasias sexuais envolvendo conteúdo de parafilia eram “anômalas”. Longe disso. Uma grande quantidade de fantasias envolvendo múltiplos parceiros, troca de poder, sadismo, masoquismo e bondage foram relatadas por mais da metade da amostra de Joyal. Indivíduos que não relataram nenhuma dessas fantasias eram uma minoria extrema. Apenas 3 das 55 coisas perguntadas eram tão incomuns que menos de 2% dos respondentes relataram já tubé-las.

Em seguida, Joyal e Carpentier coletaram uma amostra provincial representativa de Quebec, comparando administrações por telefone e on-line. Eles replicaram um considerável conjunto de pesquisas que não demonstraram evidência estatística para a mitologia amplamente difundida de que o interesse no kink está ligado a abuso físico ou sexual precoce. Essas amostras quase representativas estabeleceram que 34% dos quebecenses agiram em uma ou mais de suas fantasias variantes dentro do espectro de parafilias consensuais do DSM-5 pelo menos uma vez em suas vidas.

O Momento Chegou: CID-11

Em 2017-2018, a revisão do CID-11 da OMS incluiu a remoção das parafilias consensuais — travestismo, fetichismo, sadismo sexual consensual e masoquismo sexual consensual — do sistema de classificação. Onde o CID-11 for adotado conforme recomendado, esses não serão mais parafilias. Os quatro países escandinavos já eliminaram as parafilias consensuais de seus sistemas nacionais de codificação.

Evelyn Hooker não encerrou a discriminação psiquiátrica contra a homossexualidade com um único estudo. Foram necessários o trabalho de ativistas e psiquiatras gays de dentro do sistema para forçar a considerção dos dados. Da mesma forma, as negoçciações da NCSF com o Comitê de Parafilia do DSM-5 e a edição do CID-10 por ativistas noruegueses procederam com pouco conflito — mas os dados de Hooker, Joyal e Carpentier armaram os ativistas com o poder científico necessário para completar o trabalho político requerido para mudar os diagnósticos. Esse momento chegou.

Fonte: elephantinthehottub.com — Russell J. Stambaugh PhD DST CSSP. Traduzido e adaptado para o BDSM Brasil.

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Conhecimento critico para praticas conscientes. Escrito por Lino Naderer e afins.

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