Crítica Social · BDSM Brasil
Feminismo, MeToo, o Urso, e Todos os Homens
E Como Mudamos Isso
por Dom_In_Progress · BDSM Brasil
Entendo por que “são todos os homens”, e por que uso isso quando falo sobre violência contra as mulheres. Não porque seja preciso. Não porque todo homem esteja agredindo e estuprando mulheres. Uso porque as mulheres não conseguem dizer quais são os homens ruins.
A maioria das mulheres que é agredida sexualmente é prejudicada por alguém que conhecem, alguém que achavam que era “seguro” e deveria ter sido. Dependendo do estudo, isso é aproximadamente 60 a 80 por cento. Isso inclui parceiros, conhecidos e às vezes família. Agressões de estranhos são uma parcela menor, mesmo que sejam as que mais nos ensinam a temer.
É semelhante com homicídio. As mulheres são muito mais prováveis de serem mortas por alguém que conhecem — frequentemente um parceiro atual ou ex — do que por um estranho.
Isso não significa que a maioria dos homens é violenta. Não somos. Mas significa que os lugares onde o dano acontece são próximos de casa, não distantes ou aleatórios.
As mulheres que conheço — amigas e parceiras — todas vivenciaram violência em relacionamentos passados. Em mais de alguns casos, isso deixou impacto duradouro, incluindo TEPT. Não fui violento. Mas não consigo me separar do que me confiaram ouvir e testemunhar. Trabalho numa área dominada por mulheres, o que significa que essas conversas não são abstratas para mim. São histórias reais de pessoas reais, não estatísticas distantes.
Então, se eu realmente quero que esse sentimento mude, não acho que a resposta seja discutir a frase. Um erro que cometi em posts anteriores.
O Que Precisamos Mudar
Precisamos parar de proteger pessoas porque são “boas de outra forma”. Se continuarmos desculpando comportamentos prejudiciais em pequenas doses, não devemos nos surpreender quando a confiança se erode. O “são todos os homens” não começou com o movimento #MeToo. Isso foi apenas a discussão aberta sobre pessoas de alto perfil. A escolha entre homem ou urso trouxe para todos. É onde estamos hoje.
Precisamos levar a educação inicial a sério. Consentimento, limites, regulação emocional e lidar com rejeição não são habilidades avançadas. São básicas, e muitos de nós não as aprendemos de forma clara ou consistente.
Precisamos nos responsabilizar mutuamente em tempo real. Não apenas por danos extremos, mas pelos comportamentos menores que são minimizados. As piadas, a pressão, os testes de limite que são desculpados como “não tão sérios”. Esses momentos são onde padrões são interrompidos ou permitidos continuar.
Não podemos assumir que os sistemas vvão cuidar disso sozinhos. Escolas, locais de trabalho e instituições só funcionam quando respondem de forma consistente e previsível. Quando não o fazem, as pessoas param de confiar neles e começam a generalizar.
E temos que ser honestos sobre cultura também. O que é descartado com risos, o que é normalizado, o que é ignorado — tudo isso molda o que as pessoas acham aceitável.
Cada um de nós só tem influência sobre o que acontece em nossos próprios espaços, nossas conversas, e nossa disposição de falar quando algo não está correto.
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