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O Tropo do ‘Não São Todos os Homens’ Não Muda o Fato de que Há Muitos Estupradores por Aí
por SpanishRed
BDSM Brasil · SpanishRed
Consigo te dizer por que minha mãe fez minha vida sair dos trilhos. Consigo definir meus problemas de autoestima numa apresentação de 10 pontos e listar 75 sintomas da minha depressão, mas não consigo descrever por que meu estupro foi tão intolerável. Não temia pela minha vida, então o que evocou tanto trauma? Duas décadas depois, ainda não consigo responder a essa pergunta.
O que me ajuda é a raiva. Raiva do homem que fez isso. Raiva de qualquer sistema que o protegeu.
E é por isso que o tropo do “não são todos os homens” me enfurece. Não estou dizendo que todos os homens são estupradores. Estou dizendo que há estupradores por aí — muitos deles — e que a conversa sobre como lidar com isso continua sendo interrompida por homens que precisam que a gente reconheça que eles não estão incluídos.
Nenhuma mulher disse que todos os homens são perigosos. O que estamos dizendo é que não conseguimos distinguir os perigosos dos inofensivos antes de sermos prejudicadas — e que esperáramos que os homens inofensivos estivessem mais interessados em como isso acontece do que em reiterar que não são parte do problema.
“Não são todos os homens” é uma afirmação verdadeira que serve para encerrar conversas que precisam acontecer.
Se você é homem e não é parte do problema: ótimo. Fique. Ouça. Ajude. Mas não interrompa a conversa para dizer que você não é o problema. O momento em que você faz isso, você se torna parte do problema.
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